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Rita Sá
CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU

"Casa de ferreiro, espeto de pau” é o mote da coleção FW19/20, que descreve alguém que possuiu determinada habilidade, mas que não a usa em seu favor. A mesma função desempenhada pelo mesmo indivíduo revela um paradoxo entre aquilo que é feito com zelo e empenho quando é feito para os outros e, consequentemente, sem esforço nem investimento quando é feito para si próprio. Talvez por falta de tempo? Ou porque prefere não se dar ao trabalho?

Não se sentido como uma prioridade, o indivíduo prefere poupar-se de esforços, não tirando partido daquilo que é capaz de fazer. Na falta de melhor, acaba por ter de se contentar com soluções menos eficazes e que não estão preparadas para cumprir determinadas funções. Esta ideia materializa-se no recurso a peças que, descontextualizadas das suas funções originais, passam a cumprir outras funções que não aquelas às quais era suposto servirem.

À medida que vão surgindo os problemas é possível perceber como a personagem prefere remediar as situações em vez de investir tempo em solucionar o problema, refletindo-se numa postura de despreocupação e facilitismo. Detalhes de peças incompletas revelam a falta de compromisso que sente em relação à sua imagem e às suas necessidades. A silhueta vai igualmente tornando-se gradualmente mais despreocupada. O resultado desta postura traduz-se numa imagem que fica aquém daquilo que seria expectável, descuidada e remediada.