FacebookTwitterInstagramVimeoPinterest
Hugo Costa: "Sinto que tanto eu como o Bloom crescemos juntos"
Hugo Costa: "Sinto que tanto eu como o Bloom crescemos juntos"
A apresentar-se desde junho de 2016 no calendário oficial de eventos da Semana de Moda Masculina de Paris, Hugo Costa é um dos exemplos paradigmáticos do crescimento e ascensão proporcionados pela dinâmica aceleradora de talentos do Bloom. Iniciou o seu percurso na plataforma para jovens criadores em 2010. Em março de 2014, deu o salto para a passerelle principal do Portugal Fashion e, em 2016, também no âmbito deste apoio, marcou presença nos showrooms da London Collections Men e da Paris Fashion Week Mensewear, o que lhe permitiu a partir de então desenhar o plano de internacionalização da marca numa perspetiva integrada. Com a propriedade de quem conhece o Bloom desde a sua génese, Hugo Costa afirma que, até ao aparecimento desta plataforma, "não havia nada de fresco na moda nacional”. O designer natural de S. João da Madeira falou com o Bloom In sobre a sua evolução enquanto criador, a sua perspetiva sobre os novos talentos e o futuro do ecossistema moda nacional. 

És um dos casos de sucesso do Bloom, visto que não só evoluíste para a passerelle principal do Portugal Fashion, como deste o salto internacional e integras hoje o calendário oficial da semana de moda masculina de Paris. Em que medida o Bloom foi determinante para esta ascensão?
O Bloom permitiu-me o espaço para evoluir, com o acompanhamento certo e com as condições necessárias para fazer um bom trabalho. Deu-me tempo para aprender a decidir bem e arriscar mais.

Achas que o facto de teres sido lançado por uma plataforma que conquistou visibilidade internacional e que se posicionou, desde a sua génese, como incubadora de novos talentos fez a diferença? Sentes que, de alguma forma, florescer no Bloom é surgir no mercado ao abrigo do conceito "born global”? 
Por muito que seja necessário incorporar um mercado global e pensar comercialmente, o Bloom apresentou-se para mim como um espaço para pensar criativamente. Se é incubadora, então é para permitir o erro, corrigir e fazer crescer. Sinto que tanto eu como o Bloom crescemos juntos e que um dia nos separamos porque crescemos. 

Há algo na marca Hugo Costa que se possa identificar como "escola Bloom”? Não falamos numa perspetiva criativa, onde o Bloom procura fomentar a individualidade, mas numa ótica da abordagem do mercado, da diferenciação da marca ou até da relação com o "ecossistema” moda.
Acho que em todos os projetos que nasceram no Bloom existe um denominador comum. Uma identidade própria, um conceito forte, difícil de impor, mas menos repetível, e com grande ligação à mente que está por de trás. Nesse aspeto, o nosso projeto é 100% bloomer, continuamos a acreditar que é a diferenciação, a identidade e o conceito que nos vai trazer resultados melhores a médio e longo prazo. É disso que a moda nacional precisa. Claro que isto torna o caminho duro e difícil, porque não somos tão mainstream. Trabalhamos para nichos de mercado extremamente competitivos.

Na tua opinião, quais as características essenciais num novo talento? O que é mais valorizado pelos scouters e pelo mercado?
Tens que conseguir analisar um jovem e perceber a capacidade criativa e sustentabilidade do projeto, mas também a tenacidade, resiliência e organização. Não basta ser criativo, temos que trabalhar muito, resistir ao fracasso e aproveitar muito bem o tempo, porque muitas vezes dividimo-nos com outros projetos para financiar o nosso. 
 
O mundo da moda vive acelerado pelas dinâmicas da economia digital. Apesar seres ainda novo, vês certamente mudanças na indústria da moda desde que iniciaste o teu percurso. Como tem Portugal evoluído? O que falta em Portugal para nos posicionarmos de forma mais acentuada como fábrica de talentos internacional? 
Em 2010, até ao aparecimento do Bloom, não havia nada de fresco na moda nacional. Com o Bloom e com os nomes que lá surgiram, criou-se um sururu e iniciou-se um processo que vai captando a atenção internacional. Para nos posicionarmos como fábrica de talentos, temos que saber comunicar, investir mais na formação dos bloomers, prepará-los para o negócio, mas nunca limitá-los criativamente. Precisamos de investir no digital, e apoiar os jovens na criação de conteúdos. Muitos deles têm bons projetos mas não possuem capacidade de os comunicar. Fazer um lookbook (básico) custa muito dinheiro, que muitas vezes é fundamental para produzir as coleções. É preciso não esquecer que praticamente todos estes projetos são fruto de investimento pessoal e em que é praticamente um "one man show”.
 
Além de designer, és professor. O conhecimento e a experiência adquirida nesta dupla atividade dar-te-ão certamente uma visão concreta sobre a formação de novos talentos. Que competências devem ser priorizadas? 
Temos escolas em Portugal que já concedem excelentes valências técnicas e criativas, como por exemplo o Modatex, onde sou formador, que, sendo suspeito, me parece ter o melhor curso nacional. No geral, parece-me que é preciso reestruturar cursos, adaptar os conteúdos às novas realidades. Algumas escolas preparam bem tecnicamente, outras melhor criativamente. Mas algumas ainda têm programas desajustados à realidade da indústria. E para sermos bons designers precisamos de conhecer muito bem o processo industrial. Muitas das escolas existem ainda sem conhecer a indústria. Talvez esteja na altura de designers e indústria serem ouvidos para a criação de melhores programas e para a formação de melhores profissionais.

Quais os teus melhores momentos no Bloom? Que experiências destacas?
Tive tantos momentos bons. A primeira coleção foi muito especial. A minha vida pessoal e profissional estava em transformação. Acabara de vencer o Acrobactic e recebi o convite por parte do Miguel Flor. E a última do Bloom também foi especial. Apresentada em Lisboa, num espaço maravilhoso. Senti que tinha chegado ao fim o meu processo no Bloom. Que estava preparado para mais.

Como vês o futuro da moda nacional? 
Espero que se continue a investir nos miúdos. É preciso vitaminar a cena de moda nacional com energias novas, para que inclusivamente os mais experientes continuem a sentir necessidade de evoluir e se sintam desafiados pela irreverência dos mais novos. Gosto de acreditar que conquistaremos o nosso espaço internacionalmente, mas ainda há muito para melhorar.


O melhor momento no Bloom
A estreia

O Bloom numa palavra
Oportunidade

A tua aposta da moda nacional
Inês Torcato