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Maria Kobrock
[I.M]PERMANENT

Em 1970, o crítico de arte David Bourdon descreveu a prática artística de cobrir e embrulhar monumentos e objetos do dia-a-dia do duo artístico Christo e Jeanne Claude como a "revelação através da ocultação"1.

Hoje em dia as pessoas tendem a vestir-se da mesma forma seguindo um código social unificado específico (i.e. tendências). Contextualizando esta ideia de "revelação através da ocultação" no mundo da moda, e utilizando o corpo como o sujeito, o "embrulho" pode ser visto como uma metáfora para a construção da identidade social.

Percebendo a moda como um "mecanismo, por mais imperfeito que seja, para lidar com a complexidade do mundo exterior"2, esta coleção concentra-se na identidade interior/privada e nas roupas que usamos no conforto do nosso mundo interior, longe das pressões e estigmas sociais. Assim, a ideia é criar (revelar) uma nova ‘superfície’, i.e. roupa que contribua para a construção de seres sociais baseada em princípios de conforto e individualidade, e não simplesmente por impulsos comerciais e pressões sociais. 

1  Bourdon, David: "Christo", Harry N. Abrams publishers, Inc., New York City, 1970
2  Susan Sontag on selfies, Selfhood, and How the Camera Helps Us Navigate Complexity