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BLOOM | Rita Sá
Nem ata nem desata

"Uma noite, já não sei a propósito de que brutalidade ou injustiça, explodiu um motim a bordo e os marinheiros amarraram-no e tomaram o comando do navio. Enquanto decidiam o que fazer com ele - as opiniões dividiam-se entre atirá-lo ao mar ou dar-lhe uma sova - pousaram-no na amurada. A discussão foi-se arrastando, uma, duas horas, até que por fim André soltou um grande brado: "Ou para dentro ou para fora, malandragem! Aqui é que não, que já me doem as costas!

Agualusa, José Eduardo. 1997. Nação Crioula - A correspondência secreta de Fradique Mendes. Quetzal Editores, Lisboa.

O que fazer quando o presente é desconfortável mas encarar a mudança se torna ao mesmo tempo tão assustador?

A coleção FW21/22 "Nem ata nem desata” retrata a figura de alguém que vive na eterna indecisão de permanecer na contraditória zona de conforto - que é nada mais nada menos do que uma exasperante zona de desconforto permanente - ou de desistir de resistir à mudança e agir. A contínua condição de incapacidade de decidir assertivamente gera uma sensação de irritabilidade incómoda, molesta. Nem ata, nem desata. Na espera, o indivíduo deixa-se ficar, como alguém que prefere viver eternamente no conforto de um pijama.


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