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Maria Gambina
CONSTRUÇÃO

Construção estabelece um paralelo entre a modelação das volumetrias e corte dos detalhes da coleção e a evolução da identidade criativa da designer. 
Colarinhos que encaixam em camisas, golas que se transformam em escapulários de trench coats ou peças reversíveis e versáteis, são sublinhadas por referências gráficas à sinalética de obras em construção. O uso de processos originalmente manuais e tradicionais, como o crochet e o patchwork, reforçam estes sentidos apontando ainda para os ritmos mais lentos da necessária sustentabilidade ambiental. Foram aproveitados desperdícios de todos os materiais da coleção para configurar novas peças. Detalhes de um bomber jacket transformam-se em acessórios, presilhas de bonés fecham as peças e uma sweat vintage Adidas é reconvertida a partir da manipulação de cortes e de um bordado. 
As cores são preto, branco, vermelho, azul royal, laranja, amarelo e beje. 
Estampados da sinalética de obras em construção são associados à letra de Stop in the name of love, das Supremes, e estampados gráficos allover revelam falhas de tinta que remetem para o gasto ou o inacabado dos processos de construção mas expressam sobretudo uma inquietação contemporânea. As dicotomias extremas que marcam a contemporaneidade traduzem-se em assimetrias e em detalhes invertidos. A ascenção de discursos nacionalistas, radicais, misóginos e racistas, impõe a necessidade de equilíbrio: homens usam palas que lhes limitam a visão, a silhueta casulo oferece protecção. 
Parceiros: TINTEX (malhas sustentáveis com coatings diferenciadores e criativos), LEMAR (materiais técnicos e ecológicos) e RDD (malhas compactas com acabamentos inovadores).