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Hey you, in Bloom
Hey you, in Bloom

A 40ª edição do Portugal Fashion deu provas de que o seu mais querido projeto, o Bloom, é hoje um espaço completamente autónomo. Um projeto que nasceu em 2010, destinado a promover os trabalhos dos promissores talentos da moda nacional, onde os verbos "inovar” e "florescer” são lei. Sete anos depois, a plataforma Bloom ganhou asas e consolidou na edição 40 do Portugal Fashion a sua independência com casa cheia.

A grande festa da cultura urbana voltou a instalar-se no Palácio dos CTT, no Porto, desta feita no terceiro piso. O calendário autónomo do Bloom, espaço onde reina a experimentalidade dos jovens designers, recebeu nesta 14ª edição nove desfiles, que envolveram dez promissores talentos lançados em nome próprio e uma marca. Foi assim que o Bloom voltou a preencher um dia completo do programa do Portugal Fashion, a 23 de março, algo que se interpreta através do crescente protagonismo que os novos criadores assumem no evento.

Sob a coordenação e produção de moda do criador Paulo Cravo, o Bloom manteve a lógica de autonomização dos desfiles dos jovens designers face à passerelle principal, iniciada na anterior edição do Portugal Fashion, e já considerada uma fórmula vencedora. Como considera Paulo Cravo, "a autonomia do Bloom reforça a capacidade do projeto para enfatizar as suas características únicas na moda portuguesa, para além de dar aos jovens designers a possibilidade de mostrarem publicamente aquilo que de facto os distingue, que os individualiza enquanto criadores e diferencia os seus trabalhos”.

Na verdade, a irreverência dos jovens criadores é enquadrada pela atmosfera cultural vincadamente urbana que o Bloom cria, ao combinar a moda com outras expressões estéticas contemporâneas, em particular a música. Durante os intervalos dos desfiles, o Palácio dos CTT vibrou com a batida dos DJ sets de Alfredo, MVria e DJ KITTEN, contando também com uma emissão especial da Rádio Nova Era a partir do local.

Nove desfiles de dez criadores e uma marca  

Os desfiles do Bloom arrancaram ao início da tarde do segundo dia, num set design que mais uma vez surpreendeu pela criatividade. Fios de tecido entrecruzados em diagonal do chão ao teto, compunham o ambiente cru de um espaço que ganhou vida e cor com as propostas que pisaram a passerelle.

A maratona de desfiles começou por ser repartida entre as criações de Olimpia Davide e as propostas da Amorphous, marca de uma criadora estreante, Carla Alves. A primeira jovem designer reinventou o fato-macaco, tornando-o feminino. Já a marca Amorphous optou por nos seus coordenados lançar uma reflexão sobre a racionalização do consumo têxtil.

O segundo desfile foi da responsabilidade de Nycole, a segunda estreia na plataforma Bloom. Com uma coleção exclusivamente masculina, a jovem designer conjugou vestuário clássico com inspirações militares. As performances de moda prosseguiram com Eduardo Amorim, que recentemente participou na feira White Milano Uomo – uma ação de internacionalização apoiada pelo Next Step, projeto promovido pela ANJE, e identificado como "braço comercial” do Portugal Fashion. O jovem criador propõe uma coleção dividida em diferentes camadas "Layer(ed)”, abordando implicitamente nas suas peças a temática do regime cubano na era pós Fidel Castro.

Seguiram-se as propostas de Maria Kobrock, que procuram romper com os estereótipos e as tendências. E o desfile coletivo de Beatriz Bettencourt e Mariana Almeida (a terceira e última estreia desta edição do Bloom). Para a estação outono/inverno 2017, Beatriz Bettencourt apresenta uma coleção feminina que retrata um paralelismo entre o sonho e a realidade. Já a debutante Mariana Almeida apresentou ao público a coleção "Momentum”, tomando como referência o estilo vanguardista e singular da tenista Suzanne Lenglen.

Desfiles com lotação esgotada

Ao entardecer, as sugestões de Pedro Neto subiram a passerelle, e entre uma assistência repleta, contou com o olhar atento do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que poucos minutos antes esteve a visitar o backstage do Bloom, interagindo com os jovens designers. Pedro Neto propõe uma imagem feminina romântica, mas ao mesmo tempo dramática, tal como Lady of Shallot, retrato pré-rafaelita de John Williams Waterhouse. Nas cores, destaque para o preto, o carimbo cromático do jovem designer.

A noite arrancou com o desfile de David Catalán, inspirado na vida noturna inglesa e nova-iorquina dos anos 90. As propostas de Sara Maia antecederam o último desfile da noite, em que as malhas tricotadas e a orientação diagonal da estética foram uma constante. Inês Torcato fechou um line-up repleto de novas promessas para a renovação da moda portuguesa. A jovem designer parte de um "auto-retrato” em busca da perfeição estética. "Lãs finas, fazendas e malhas, muitos tons de cinza, brancos, marinho e vermelho, num jogo de opacidades e texturas, luz e sombra” compõem uma coleção que moderniza a imagem clássica da alfaiataria.

"A qualidade, modernidade e sofisticação das coleções dos jovens criadores justificam, plenamente, esta autonomia em relação à passerelle principal. De resto, como a afluência de público àquele que é já um espaço identificativo do ADN do Bloom, o Palácio dos CTT, bem como o interesse da imprensa especializada e dos agentes de compras pelos jovens designers, provam que esta nossa estratégia de autonomização está correta”, garante o presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, Adelino Costa Matos, rematando o mesmo responsável  que "também o Portugal Fashion ganha com esta opção, porque está ele próprio, enquanto evento, a renovar-se criativa e geracionalmente. Estamos, pois, a trabalhar para o futuro dos jovens criadores, da moda portuguesa e do próprio projeto”.


* Créditos fotográficos: Louie Thain