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42º Portugal Fashion: a celebração da moda nacional no Parque da Cidade
42º Portugal Fashion: a celebração da moda nacional no Parque da Cidade
Depois da abertura no novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa, a 17 de março, o 42.º Portugal Fashion outono/inverno 2018-19 rumou, entre 22 e 24 de março, ao Parque da Cidade do Porto. Os desfiles tiveram lugar no maior parque urbano do país, onde esteve instalada uma megaestrutura (10 mil m2 de área total) com dois espaços de passerelle, bastidores, showroom, várias áreas sociais e de lazer, sala de imprensa, entre outras valências. Os três espaços de passerelle perfizeram 1.000 m2 cada um, acomodando confortavelmente cerca de 1.000 espectadores por desfile. 

«Nesta edição, seguimos a lógica organizativa dos grandes shows de moda internacionais, como as fashion weeks de Londres, Nova Iorque e Paris, que privilegiam a realização dos desfiles em megastruturas amovíveis instaladas em locais nevrálgicos das cidades», explicou o diretor de comunicação do Portugal Fashion, Rafael Alves Rocha. 

«No nosso caso, aproveitámos as potencialidades do Parque da Cidade do Porto, um espaço com excelentes condições para a organização de eventos: amplitude, comodidade, bons acessos, aprazibilidade, etc.. Em termos de conforto e funcionalidade, quer para os protagonistas dos desfiles, quer para os nossos convidados, foi uma magnífica solução», acrescentou o mesmo responsável.

«Importa salientar, a propósito, que o Portugal Fashion gosta de inovar na seleção dos locais de realização dos desfiles. Ora, desta vez construímos uma verdadeira cidade da moda, procurando assim reforçar a capacidade promocional, a linguagem estética e a mundividência autoral de criadores e marcas. Algo que já aconteceu em Lisboa, com os desfiles no novo Terminal de Cruzeiros», lembrou.

«Grandes estruturas amovíveis emprestaram conforto, funcionalidade e informalidade aos desfiles de moda. A existência de dois espaços de passerelle – White Room e Black Room – possibilitaram, por exemplo, agilizar o calendário de desfiles, segmentar públicos e facilitar a circulação dos espectadores», sublinha Rafael Alves Rocha.


Programa de desfiles muito heterogéneo


Quanto à line up, Rafael Alves Rocha garantiu «um programa de desfiles muito heterogéneo, como é apanágio do Portugal Fashion. Tivemos moda de autor de grande qualidade, quer assinada por criadores consagrados, quer por jovens designers, mas também propostas comerciais de vestuário e calçado, vertente que o evento sempre privilegiou». Para esta 42.ª edição do Portugal Fashion, foi programado um total de 34 desfiles, reunindo 18 criadores, duas duplas de criadores, seis jovens designers e uma marca Bloom, oito finalistas do Concurso Bloom, sete marcas de vestuário e seis marcas de calçado. 

O primeiro dia do Portugal Fashion no Porto arrancou com o desfile coletivo do Concurso Bloom, onde participaram os oito finalistas da competição, de onde saíram vencedoras as jovens designers Mara Flora e Maria Meira. Seguidamente, os sete bloomers, dos quais seis designers e uma marca, tomaram conta da Black Room e apresentaram as suas propostas para a próxima estação fria.

Casacos longos e vestidos em organza bordada marcaram a nova coleção de Anabela Baldaque, intitulada "Aurora”. A estação fria da criadora também se fez de peças de malha, com quadrados e xadrez, e mangas elaboradas, franzidas, drapeadas e plissadas. Estelita Mendonça surpreendeu com linhas e materiais inusitados, como é seu hábito. A celebrar 30 anos de carreira, Júlio Torcato apresentou uma coleção que alia o corte clássico ao sportswear. O criador privilegiou os tecidos técnicos, as malhas, os pelos, os lisos e as estruturas, os piquets, as riscas gráficas e o nylon, enquanto nas cores avultam o azul royal, o laranja, os beges, os verdes e o preto.

No 3.º dia de desfiles, o programa iniciou-se com a estreia de Inês Torcato e David Catalán na passerelle principal do evento, depois da experiência ganha pelos dois jovens criadores na plataforma Bloom e em eventos internacionais com o apoio do Portugal Fashion. Inês Torcato apostou nos jogos de texturas e numa linguagem gráfica, enquanto David Catalán explorou, na sua nova coleção, uma estética associada ao escutismo.

Materiais texturados de algodões e lãs compactas ganharam destaque na nova coleção de Carla Pontes, outra jovem designer que fez o tirocínio no Bloom. Seguiu-se a marca de vestuário Pé de Chumbo, com propostas em que o urbano se mistura com o romantismo bucólico. Outra marca de pronto-a-vestir, a Meam, apresentou uma coleção em que matérias e formas opostas se combinam inesperadamente. De destacar os estampados luxuosos e originais em peças simples de linhas arquitetónicas, bem como os detalhes de cor, golas requintadas e tecidos brilhantes contrastando com formas e volumes simples.

De regresso da Semana da Moda Masculina de Paris, como apoio do Portugal Fashion, Hugo Costa mostrou que o punk não morreu. A coleção do jovem criador lançado pelo Bloom traduz essa premissa, através do uso da cor e de combinações de matérias mais agressivas e coordenados justapostos de forma não convencional. Depois, Luís Buchinho trouxe-nos uma coleção feita de materiais resistentes e formas protetoras e indutoras de mobilidade. Sob a designação "Night Drive”, as novas propostas do criador são dominadas pelo preto em diferentes tons, brilhos e opacidades. Mangas raglã, cinturas definidas e sublinhadas, punhos e ombros alongados em ribs canelados, escapulários compridos, bolsos de chapa amplos e acolchoados matelassée marcam a estação fria de Buchinho. 
Peças esvoaçantes, transparências e cortes ousados caracterizaram os novos looks de Micaela Oliveira. "Woodland” é o nome de uma coleção inspirada na abrangência e nos contrastes da natureza, na qual a criadora explora tecidos e rendas que remetem para o ambiente enigmático dos bosques sombrios. A terminar o 3.º dia de Portugal Fashion, Miguel Vieira agitou a passerelle com o rock & roll que inspira a sua nova coleção, para a qual desenhou silhuetas esguias contrastando com formas volumosas. 

Depois da participação em janeiro na Milano Moda Uomo, com o apoio do Portugal Fashion, Miguel Vieira regressou à passerelle com propostas não apenas para homem mas também para mulher, neste caso com peças volumosas de cintura marcada e ombros esguios. Preto caviar, azul-marinho, verde azeitona e dourado são as cores em destaque na coleção, enquanto nos materiais a preferência vai para os jacquards, os tecidos com lurex, as malhas, os estampados em flocado sob fazenda, o pelo falso, as lantejoulas, a napa, os tecidos laminados e os plissados. 

O último dia do 42.º Portugal Fashion arrancou com dois nomes de peso: Nuno Baltazar, com uma coleção sofisticada e elegante, e Katty Xiomara, que aposta em assimetrias e contrastes, com diferentes texturas e volumes. A seguir, seis marcas de calçado (Ambitious, Fly London, J. Reinaldo, Nobrand, Rufel e The Baron’s Cage) confirmaram a vitalidade de uma fileira fortemente exportadora.

Quatro reconhecidas marcas de vestuário portuguesas, Concreto, Ana Sousa, Lion of Porches e Dielmar assumiram a passerelle na reta final do 42.º Portugal Fashion. Na nova coleção da Concreto predominaram os jacquards florais reinterpretados em tons neutros. Já Ana Sousa reinventou o vestuário de diferentes épocas históricas, com formas contemporâneas e comerciais. A Lion of Porches levou à passerelle o seu casual wear descontraído mas sofisticado, enquanto as novidades da Dielmar para a estação fria foram as lapelas largas e as calças com pregas.

No final do 42.º Portugal Fashion, Luís Onofre trouxe à passerelle o requinte do seu calçado e marroquinaria de luxo. Mas foi a Diogo Miranda que coube encerrar o evento, com as suas propostas de alta-costura. Cortes assimétricos, decotes profundos e volumes definem a nova coleção do criador, cujo ponto de partida foi o cristal de um candelabro de família. Diogo Miranda procura transmitir «uma imagem imponente, sofisticada, severa e austera» com esta coleção outono/inverno.   

Resta dizer que o Portugal Fashion – um projeto da responsabilidade da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, desenvolvido em parceria com a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal – é cofinanciado pelo Portugal 2020, no âmbito do Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização – Compete 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.