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Alexandra Moura
Alexandra Moura

Tem na London Fashion Week um palco privilegiado para chegar a novos mercados internacionais. Na última temporada, Alexandra Moura fez a apresentação da coleção SS17 no bar underground do prestigiado hotel londrino The London Edition, sob a direção criativa da Wonderland Magazine, e com o apoio do Portugal Fashion. Agora, prepara-se para o regresso à semana de moda mais laboratorial de toda a Europa, a 20 de fevereiro. Desvendamos o percurso da criadora que encontra no mercado asiático forte expressão.

Comecemos ao contrário. Ou melhor, partamos da atualidade para viajarmos até ao início do novo milénio, altura em que Alexandra Moura já tinha trocado o sonho de criança, passando ao lado de uma carreira que envolvia telescópios, observação de estrelas e fórmulas matemáticas, para se dedicar a tempo inteiro ao lápis e ao papel. Perdeu a astronomia, ganhou o universo da moda de autor.

London calling

Com o Portugal Fashion voou, em setembro de 2016, para a segunda apresentação consecutiva na Semana de Moda de Londres. No The London Edition, Alexandra Moura, designer nacional que conquistou o British Fashion Council, "optou por prescindir da tradicional passerelle e substituiu-a por uma festa com curadoria da conceituada revista Wonderland Magazine”, assim noticiou o Expresso. Na realidade, um happening que fugiu aos habituais cânones de apresentação de uma coleção, com as manequins a exibirem os looks da criadora num pequeno palco, uma espécie de montra improvisada que captou a atenção dos agentes de compras presentes no evento. Uma performance artística que estimulou ainda a curiosidade de todos os outros convidados que, descontraidamente, com um cocktail na mão, observavam as peças e os materiais, e se divertiam ao som da música grunge dos anos 90 que passava, ou com o momento musical protagonizado pela nova-iorquina MAAD (que vestia Alexandra Moura). No final, uma apresentação que causou o hype pretendido e que promoveu a Lover’s Eye SS17 collection de forma singular.

Confirmação de que a vibrante Londres é a montra internacional predileta da criadora portuguesa, Alexandra Moura elege "a preparação do desfile do regresso à London Fashion Week”, no próximo dia 20 de fevereiro, como um dos momentos altos da sua carreira. Aliás, é nesta cidade, onde já fortaleceu uma série de contactos comerciais, que se prepara um desfile "fora da caixa”, sobre o qual – permitam-nos – não revelamos, por enquanto, mais pormenores.

Da ciência para o mundo das artes

Alexandra Moura admite que despertou tarde para o mundo da moda. "Sou uma apaixonada pelos animais, pelo céu e pelas estrelas desde criança. Estudei ciências com dois intuitos: seguir Biologia Animal Marinha (e aventurar-me no oceano para estudar cetáceos), ou dedicar-me ao estudo da Astronomia (e imaginar-me num qualquer deserto inóspito, eu e um telescópio, a estudar o que mais amo, o universo)”.

A mudança de rumo sucede quando a jovem Alexandra descobre o trabalho dos fashion designers Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo, através das suas pesquisas literárias, numa altura em que a Internet ainda não tinha grande expressão. Identificando-se com estes artistas, concluiu que afinal "não era assim tão bicho-do-mato!”, e que poderia aplicar a sua sensibilidade ao serviço da estética. Foi assim que seguiu o curso de Design de Moda e fez desta profissão uma sólida carreira. No entanto, não deixa de considerar uma jornada longa, pois até consolidar a sua marca passou por vários ateliers e abdicou de vários projetos pessoais.

O sol nasce a oriente

Mas a recompensa do afincado trabalho de promoção exterior da marca Alexandra Moura está à vista, tratando-se do mercado asiático aquele em que encontra mais oportunidades de expansão do negócio. Na verdade, a "estética, silhueta e detalhes” das suas peças têm um je ne saisquoi de oriental. Não é por acaso que os "responsáveis” pela introdução de Alexandra Moura no mundo da moda são dois designers japoneses.

"Recentemente, a nossa marca foi considerada uma das marcas a ter em atenção por uma lista de buyers e imprensa do mercado asiático”, afirma a designer, acrescentando ainda outra conquista: "a presença na plataforma Opening Ceremony Japan”. Para um futuro próximo, ambiciona alcançar mais concept stores. Algo que só foi possível fruto de um trabalho contínuo promovido no terreno "há já bastantes seasons”, refere.

Um caos organizado

Quando está no atelier, a normalização dos dias parece ser mais respeitada. "Existe uma metodologia no trabalho, e para que haja organização, logo de manhã reunimo-nos para fazer o ponto de situação e o plano para esse dia”, que pode envolver reuniões, atendimento a clientes, ou o desenvolvimento dos processos criativos dos projetos que tem em mãos, quer seja da sua próxima coleção ou de outros projetos paralelos.

A par disso, e quando não está em trânsito entre viagens, Alexandra Moura dá aulas duas vezes por semana na Escola Superior de Artes Aplicada em Castelo Branco. Sobre a conciliação destes dois mundos – o criativo e o da docência – a designer acredita que "um complementa o outro”. Sublinha que ser professora a ajudou "a saber verbalizar, o que para muitos criativos é tão complicado, quanto mais não seja para explicar todas as vertentes inerentes a esta profissão”. Por seu turno, a marca confere-lhe "o know-how, uma mais-valia preciosa”, que privilegia na interação com os seus alunos.