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Luís Buchinho
Luís Buchinho

Em 2015, completou 25 anos de carreira. Hoje, com a comemoração das três décadas no horizonte, Luís Buchinho continua a desenhar e a apresentar coleções sem cair no deslumbramento fácil de uma vida dedicada ao design de moda. Exporta mais de 50% das suas criações, revelando um crescimento sustentado da marca homónima, projeto em que deposita toda a sua autenticidade e pragmatismo. Esta é a sua profissão de sonho, mas também o seu negócio.

Em 1995, participou na primeira edição nacional do Portugal Fashion. Em 1999, foi um dos criadores que integrou a primeira expedição internacional do projeto de moda português, ao desfilar na São Paulo Fashion Week. À entrada do novo milénio, no ano 2000, Luís Buchinho fez também história com o Portugal Fashion ao pisar a catwalk de Nova Iorque. Em 2001, como criativo da marca Jotex, estreou-se na Semana de Moda de Paris Prêt-à-Porter, epicentro do mundo da moda onde regressou, em nome próprio, no ano seguinte, em 2002.

Hoje, o designer soma mais de 30 internacionalizações na Paris Fashion Week, um sério e longo affaire com a capital francesa. Quando em março de 2016 apresentou o seu desfile FW16-17 na Université Paris Descartes, com o apoio do Portugal Fashion, confessava ao programa Sociedade Civil, da RTP1, que na passerelle parisiense encontra o "carimbo de segurança” necessário à marca para cativar os agentes de compras internacionais.

Visão integrada do negócio

Na verdade, uma estratégia de internacionalização sustentada não só através da promoção das coleções em registo passerelle, mas igualmente impulsionada por via da participação contínua da marca em certames de referência. Só na última temporada de apresentações internacionais FW17-18, Luís Buchinho participou na White Milano e na Edit New York, com o apoio do Next Step, projeto designado como o "braço comercial” do Portugal Fashion, promovido pela ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários.

"O balanço deste calendário foi ótimo”, afirma o designer ao Portugal Fashion. Certo é também que "foi um ritmo intenso, pois a marca esteve presente em diversos pontos do globo, por vezes em simultâneo, como aconteceu na White e na Edit, obrigando a equipa a uma logística interna rigorosa e à produção de mais coleções dentro da própria coleção”, completa. Luís Buchinho sabe como funciona o mercado, e sabe também que para dar resposta positiva à promoção B2B da marca, fator que tem contribuído definitivamente para a sua consolidação, tem que ter "toda a estrutura organizada e planeada com antecedência, pois os timings de venda são cada vez mais coincidentes”, explica o criador.

Uma marca que cresce ao ritmo das estações

"Os primeiros 25 anos passaram muito rápido”, admite Luís Buchinho. "No mundo da moda há sempre a sensação de que se está atrasado, mesmo quando não se está”, um facto que, considera o designer, está associado ao calendário da própria fashion industry – dividido entre outono/inverno e primavera/verão. Por isso, o criador prefere não planear a estratégia da marca a longo prazo, mas sim estação a estação. E é neste compasso semestral que observa uma evolução "gradual e consistente da marca”, conclui.

Neste momento, Buchinho pretende explorar todas as possibilidades de negócio em torno das coleções que produz, e nessa senda abraçou recentemente um novo desafio ao produzir a sua primeira linha de óculos de sol, em parceria com a Ergovisão. Por isso, foi perentório na resposta que deu a Carlos Gil nesta reportagem da GQ, quando o designer lhe perguntava para quando uma coleção para Homem: "Não será para breve, pois agora estou focado em aumentar a coleção de senhora a todos os níveis, como o seja a nível dos acessórios”. O primeiro passo já foi dado, e para um futuro próximo talvez vejamos uma linha de calçado.

Be yourself

Enquanto professor, Luís Buchinho procura despertar nos alunos do Modatex o seu "eu criativo e a sua individualidade”. Algo que nos conduz, inevitavelmente, ao paralelismo da realidade vivida pelo próprio jovem Buchinho, cujo destino – caso possamos colocar o acaso neste termo – lhe colocou uma professora especial no caminho, a verdadeira impulsionadora da sua carreira. Observando a sua apetência para as ilustrações, a docente praticamente obrigou Luís Buchinho a seguir o curso de Design de Moda, como aliás o designer já referiu em diversas entrevistas. E o bichinho da ilustração permanece em harmonia com a moda, assim evidenciam as suas publicações no Instagram.

Um designer autêntico, que prefere isolar-se no arranque do processo criativo de cada coleção. É em casa que se sente "mais focado e concentrado” para criar. Só depois, quando já tem bem definido qual o rumo que pretende dar à coleção, convoca a equipa para juntos trocarem ideias e operacionalizarem a produção das peças.

Genuíno também no momento que elege como o mais marcante da sua carreira, Luís Buchinho diz, sem hesitações, que foi o prémio Portex que venceu em 1990, na categoria de Melhor Designer. "Este galardão impulsionou a minha carreira, tanto a nível de projeção mediática, como a nível financeiro”, reconhece. Um primeiro momento que lhe proporcionou a vivência de mais momentos felizes distribuídos ao longo dos seus já 27 anos de profissão. E assim prosseguirá em busca de mais capítulos felizes: fazendo moda e negócio.