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Sofia Lucas:"A um novo talento não poderá faltar paixão"
Sofia Lucas:"A um novo talento não poderá faltar paixão"
Na sua edição SS18, o BLOOM IN, projeto editorial associado à plataforma Bloom, esteve à conversa com a Diretora da renovada Vogue Portugal. O novo projeto que Sofia Lucas tem em mãos partilha com a Plataforma Bloom a frescura de um ecossistema que floresce, mas também a ambição de apoiar o design de moda nacional. Com muitas iniciativas em curso nesse sentido, Sofia Lucas defende que o panorama editorial tem de "abrir portas a uma mistura entre marcas nacionais e internacionais, quer em editoriais, quer em shootings ou campanhas”.

O que procura a imprensa especializada em matéria de novos talentos?
Procura exatamente o mesmo que procura nos talentos já reconhecidos: criatividade, qualidade e uma genialidade capaz de espantar. A um novo talento poderá faltar, ainda, a experiência, uma network mais desenvolvida, suporte económico, entre outros, mas nunca lhe poderá faltar a paixão, a dedicação e a entrega total ao compromisso com o design. 

Tem em mãos um novo projeto, na liderança editorial da nova Vogue Portugal, tem planos específicos de cobertura editorial associada aos jovens designers? 
Um dos maiores compromissos do novo rumo da Vogue Portugal é de facto o de posicionar o design de moda português a uma escala mundial. Temos já pensados vários projetos e queremos por em prática uma série de ideias que tomarão forma nas próximas edições da revista e também nas nossas plataformas online. 

Acreditamos que a GQ a tenha levado a estar mais atenta à moda para homem, precisamente numa altura em que o menswear emerge globalmente. Acha que Portugal tem mais talento na moda de autor para homem ou para mulher? Como vê o futuro da moda nacional no que concerne a esta dicotomia? 
Acredito que o talento não está seccionado em termos de género. É notória uma muito maior apetência para o mundo feminino por parte dos designers, mas que julgo estar relacionada com a imagem que ainda se tem de um mercado de maior consumo voltado para mulheres. O panorama global está em crescente mudança e, por isso, julgo que a médio prazo o mesmo também irá ocorrer em Portugal. 

Que conselhos daria a um jovem designer que está a lançar a sua marca? 
Que se mantenha fiel à sua paixão. Sempre. É a única forma de vencer todas as dificuldades, das maiores às menores, mas que vivem lado a lado com quem se propõe a fazer acontecer alguma coisa. Trabalho árduo e não esperar facilidades. 

Se tivesse de apresentar o ecossistema nacional de moda a um expert internacional como o faria? Incluiria os novos designers entre os seus argumentos?  
Recentemente, e a propósito do relançamento da Vogue Portugal, recebemos em Lisboa a editora de moda provavelmente mais reconhecida em todo o mundo, Suzy Menkes. Não é todos os dias que acontece uma visita destas e corresponde em tudo o que é o compromisso e a responsabilidade que a Vogue Portugal tem no posicionamento internacional da moda Portuguesa. As visitas organizadas pela Vogue Portugal com Suzy Menkes aos ateliers de alguns designers foram fundamentais no que diz respeito a estreitar os laços entre a moda portuguesa e uma comunicação, realmente internacional, através do olhar da editora internacional da Vogue para a Condé Nast e do reconhecimento indiscutível que tem no mundo inteiro. Mas voltando ao inicio, a visita da Suzy é a melhor resposta a esta pergunta. Apenas por questões de agenda, e com imensa pena dela e nossa, não foi possível trazê-la ao Porto, desta vez, mas a sua presença foi tão importante nos desfiles dos novos talentos como nos de designers mais consagrados. Aliás, não seria um ecossistema de moda se esta apresentação não fosse realmente transversal a todo o tipo de talentos, aos emergentes também. Está nos nossos planos organizar visitas idênticas, com mais alguns designers, que têm os seus ateliers sediados no Porto. 

Qual a importância dos jovens designers para o futuro da moda em Portugal?
Exatamente a mesma importância que têm as novas células em qualquer organismo vivo. E sendo uma nova geração, com oportunidades e meios diferentes, inseridos na era digital, os jovens designers têm à sua disposição ferramentas de marketing e comunicação dispares que lhes possibilitam um alcance muito maior do que há, por exemplo, 20 anos atrás. Claro que o segredo para o sucesso final vai depender da qualidade e da diferenciação do seu trabalho.

Na sua opinião, o que falta ao universo dos criadores de moda em Portugal para conseguirem mais reconhecimento internacional?
Continua a não ecoar um sentimento de orgulho nacional. Num mercado e num meio tão pequenos, temos de aprender a trabalhar em conjunto, entre designers e produção, para combater a economia de escala. A nível de divulgação e comunicação também tem de se extinguir a noção de gueto e abrir portas a uma mistura entre marcas nacionais e internacionais, quer em editoriais, quer em shootings ou campanhas. Este distanciamento é quase uma tradição enraizada no panorama editorial e as portas de abertura ao mundo podem começar aqui. Temos acima de tudo de gostar de nós próprios.