FacebookTwitterInstagramVimeoPinterest
Diogo Miranda
Diogo Miranda
O ano de 2017 marca a celebração dos 10 anos de carreira de um dos designers mais conceituados do panorama atual da moda portuguesa. As coleções de Diogo Miranda têm hoje expressão global, incluindo nos mais conceituados meios da especialidade (The New York Times, Harper's Bazaar, Vogue e Elle destacam-se no seu portfólio). Aliás, o seu mercado é sobretudo internacional, potenciado não apenas pelos desfiles, mas também pela presença em showrooms internacionais – já marcou presença em certames de cidades como Paris, Londres, Berlim e Nova Iorque, cidade onde tem showroom permanente.

Uma carreira que floresceu

O percurso de Diogo Miranda no universo da moda começou em 2007. Formado em Design de Moda pela Cenatex, o interesse do criador pela área teve como base a ligação da família à indústria têxtil e do calçado, com que a qual contactou desde criança. "Desde cedo tive contacto com isso, eles chegavam das feiras e a primeira coisa que fazia era ver o que tinham trazido para mim. O meu pai levava-me à escola e antes eu ia à fábrica ter com ele, via o que se estava a fazer”, contou Diogo Miranda à revista Máxima, em março deste ano.

Admite ter pensado estudar arquitetura ou vitrinismo, acabando por escolher a moda como caminho a seguir. A confirmação deu-se quando, após um estágio em Sevilha, no atelier de Miguel Reyes, participou no Concurso Bloom do Portugal Fashion – na altura, apelidado de Concurso de Jovens Criadores. Foi esta experiência que lhe valeu a oportunidade de apresentar a coleção candidata, meses depois, num desfile do Portugal Fashion. O criador não nega a importância que a participação no concurso representa na sua carreira, acrescentando que é determinante para os jovens criadores por lhes "permitir mostrar o seu trabalho a um publico maior com o objetivo de progredir o seu trabalho” na área da moda.

"A participação no Concurso Bloom marca o começo da minha carreira, foi a primeira vez onde mostrei o meu trabalho ao público e à imprensa”, admite o designer. Sim: o criador que já viu as suas coleções desfilarem um pouco por todo o mundo, vestidas por nomes como Sara Sampaio – numa coleção inspirada no trabalho do arquiteto Oscar Niemeyer -, Helena Bordon e Sonam Kapoor, deu os seus primeiros passos no Portugal Fashion, onde hoje apresenta regularmente as suas propostas sazonais.

Foi na passerelle do Portugal Fashion que Diogo Miranda acabou por afirmar-se em nome próprio, deixando para trás uma passagem pela indústria, mais concretamente pela Inditex, a empresa onde aprendeu o suficiente para poder investir na sua marca pessoal e fazê-la crescer. Natural de Felgueiras, foi aí que sediou o atelier e loja, espaço onde reúne as atuais coleções, realiza serviço de personal tailoring para o público masculino e atendimento personalizado ao público, juntamente com uma equipa de dez pessoas.

O salto para mercado internacional

Mas até que ponto faz sentido sediar uma marca num país que não faz parte do mercado principal? Para Diogo Miranda, faz todo o sentido – não só porque é o país onde nasceu e criou a sua marca, mas também porque Portugal proporciona um contacto bastante próximo com a indústria da moda, algo favorável à afirmação das marcas no setor. "Em termos industriais e de produção temos tudo”, afirma o designer, acrescentando que talvez seja esse o motivo que leva várias marcas estrangeiras a fixarem-se em solo português.

A internacionalização da marca Diogo Miranda deu-se nos últimos anos: primeiro, em 2014, quando exportou pela primeira vez uma coleção sua para o Médio Oriente, que hoje representa o mercado mais forte do designer; e logo depois, em 2015, quando se apresentou pela primeira vez na Paris Fashion Week, com o apoio do Portugal Fashion e da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, onde chamou a atenção dos media internacionais. Quando questionado sobre os momentos mais altos da sua carreira, Diogo Miranda não hesita em responder que a primeira exibição em Paris foi um deles: a coleção, intitulada "Paris nº 1”, contou com "looks austeros mas estilizados”, de ombros acentuados e silhuetas bem definidas, em discretos tons de bordeaux, preto, azul marinho, azul riviera, telha e branco.

10 anos de Diogo Miranda

A coleção de Outono/Inverno 2017/2018 não é uma coleção qualquer. Pelo contrário, traz consigo dez anos de trabalho, empenho, criatividade e elegância que descrevem a carreira de Diogo Miranda. O designer decidiu assinalar a ocasião especial com protagonistas também especiais: 10 mulheres que o rodearam e acompanharam na sua jornada profissional, que refletem na campanha as suas personalidades e modos de estar, bem como as suas diferentes perspetivas e ligações à marca – entre elas, as atrizes Ana Sofia Martins, Débora Monteiro e Sónia Balacó, as modelos Luísa Beirão, Joana Castro e Margarita Pugovka e a coordenadora de moda do Portugal Fashion, Isabel Branco.

Esta coleção especial desfilou no palco do Portugal Fashion na edição de março deste ano, onde o público pôde apreciar ao vivo as propostas de Diogo Miranda para a próxima estação. Os folhos XL, os laços, as formas volumosas e os tons de cobre combinados com preto são algumas das características fundamentais dos looks apresentados, que conjugadas com cabelo, maquilhagem e música (de David Bowie), criaram uma autêntica atmosfera que remonta aos anos 80 e ao trabalho único do fotógrafo Guy Bourdin.

Desde o seu primeiro desfile no Portugal Fashion, o designer faz um balanço criativo do seu percurso: "foram 10 anos de aprendizagem, de progressão, e se alguns pormenores se mantêm iguais desde o 1º desfile, nomeadamente o nervosismo e a adrenalina antes do desfile, tudo melhorou, passando pela qualidade do meu trabalho, pela organização do próprio desfile e todas as condições que o Portugal Fashion me proporciona”, afirma Diogo Miranda. Para o futuro, o designer não pede muita coisa – apenas que a marca se continue a afirmar, a crescer e conquistar novos mercados.