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Mais de 20 criadores e 14 marcas desfilaram no 38.º Portugal Fashion
Mais de 20 criadores e 14 marcas desfilaram no 38.º Portugal Fashion
Foi um Portugal Fashion com um cartaz vasto e eclético aquele que arrancou no Convento do Beato, em Lisboa, no dia 16 de março, e se estendeu durante três dias no Porto, onde se concentrou a maioria dos desfiles. Nesta 38.ª edição do evento, houve moda de autor por criadores consagrados e emergentes, linhas comerciais da indústria e coordenados de jovens designers inseridos no projeto Bloom, dedicado aos novos talentos. Ao todo, participaram 24 criadores (22 em nome individual e duas duplas), oito marcas de vestuário e seis de calçado, 13 jovens designers (cinco em nome individual e oito finalistas do Concurso Bloom) e três marcas de jovens designers.

Perante esta diversidade de propostas, João Rafael Koehler, presidente da ANJE, entidade organizadora do evento, considerou que «o 38.º Portugal Fashion conseguiu um bom equilíbrio entre moda de autor, criações para o mercado e propostas de jovens designers. Este sempre foi o conceito do Portugal Fashion, mas creio que, nesta edição, o programa de desfiles concretizou particularmente bem esta nossa ambição de abarcar as várias vertentes da moda».

Tratou-se, aliás, de um dos maiores programas de desfiles de sempre do Portugal Fashion, evento que celebrou no ano passado o seu 20.º aniversário. O 38.º Portugal Fashion outono/inverno 2016-17 somou 37 desfiles de moda: 21 de coleções de criadores, 10 de coordenados de jovens designers e seis de linhas comerciais de marcas de vestuário e de calçado. «Tão grande número de desfiles, de criadores, de marcas e de jovens designers é um sinal de vitalidade do Portugal Fashion e da fileira moda portuguesa», garantiu João Rafael Koehler.

No Porto, o evento arrancou pela primeira vez no polo de Matosinhos do CEIIA – Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, uma infraestrutura do cluster das Indústrias da Mobilidade vocacionada para ensaios, testes e cálculos estruturais. Foi no ambiente quase cibernético deste moderno edifício que se realizaram os seis desfiles do segundo dia do 38.º Portugal Fashion, cabendo a Júlio Torcato abrir a passerelle. Seguiu-se o criador Pedro Pedro e depois Hugo Costa, que, pela primeira vez, realizou um desfile individual na passerelle principal do evento.

O programa de desfiles prosseguiu com a estreia no Portugal Fashion da Pé de Chumbo, uma marca de autor da designer Alexandra Oliveira que privilegia a utilização de tecidos nas suas criações para senhora. Refira-se que, apesar de se ter estreado no evento, a Pé de Chumbo já contou com o apoio do Portugal Fashion na sua participação na Tranoï Femme, certame têxtil que se realizou este mês no quadro da Semana de Pronto-a-Vestir de Paris. Nesta edição do Portugal Fashion, a Pé de Chumbo apresentou na passerelle uma coleção com «uma leve inspiração étnica» e que se distinguiu pela «mistura entre jogos grossos de fios de lã e a delicadeza de rendilhados finos e transparentes, com contrastes de cor entre rosas e beges suaves até aos cinzas e pretos com pormenores de vermelho». Segundo a marca, «esta coleção é o reflexo do principal conceito e motivo distintivo da Pé de Chumbo: as texturas».

O primeiro dia de desfiles no Porto terminou com duas criadoras intimamente ligadas ao Portugal Fashion e que figuram, certamente, na história da moda portuguesa: Anabela Baldaque e Fátima Lopes. A estilista portuense apresentou a coleção "A Vizinha”, na qual predominaram os impermeáveis, as fazendas de texturas grossas e de lãs com pelos, as malhas estampadas, as rendas, os brocados e os tecidos lisos numa paleta de cores que incluiu cinzentos e pratas, azuis intensos, pérolas e brancos, mostardas, pretos e dourados. A silhueta foi diversificada: longa e justa ou ampla e curta. Já Fátima Lopes apresentou uma coleção onde as peles estiveram em destaque. Femininas e sensuais, as peças concebidas pela criadora madeirense para a próxima estação fria inserem-se numa paleta cromática de preto, vermelho, branco e azul. 

Jovens designers na passerelle principal

Já na Alfândega do Porto, centro nevrálgico deste Portugal Fashion, o evento arrancou logo às 15h30 de sexta-feira, com o desfile conjunto de duas jovens designers que passaram da passerelle do projeto Bloom para a passerelle principal. Tratou-se de Carla Pontes e Mafalda Fonseca, cuja qualidade e maturidade das coleções lhes permitiu, nesta edição, integrar o calendário oficial do evento. Daniela Barros, por seu turno, revelou novamente a sua coleção na passerelle principal, mas desta feita num desfile individual. Também esta jovem designer começou por apresentar os seus coordenados no âmbito do Bloom, para mais recentemente ascender à passerelle principal e agora ter tido a possibilidade de apresentar um desfile consagrado apenas às suas criações.

A meio da tarde, registaram-se novas estreias no Portugal Fashion e desta feita provenientes de Moçambique. Tratou-se do desfile coletivo da marca Ideias a Metro (projeto de Carla Pinto, criadora portuguesa a viver em Moçambique) e dos jovens criadores moçambicanos Omar Adelino e Shaazia Adam. A presença destes criadores fez-se ao abrigo de uma parceria entre o Portugal Fashion e a Mozambique Fashion Week, considerada a mais dinâmica semana de moda de África. Importa lembrar que, em dezembro último, o Portugal Fashion produziu os desfiles de Miguel Vieira, Roselyn Silva e Micaela Oliveira no Polana Serena Hotel, em Maputo, no âmbito da Mozambique Fashion Week.

O terceiro dia de Portugal Fashion terminou com um conjunto de desfiles de grande interesse, porquanto foram reveladas as novas coleções de Elsa Barreto, Carlos Gil, Diogo Miranda, Luís Onofre e Miguel Vieira. Com a coleção "Cor”, Miguel Vieira definiu, para mulher, uma silhueta de «linhas estruturadas e informais, linhas volumosas que não escondem a feminilidade, alturas longas e extra longas, fit largo e purista». Para homem, a nova coleção propôs «fatos estruturados e calças de corte irrepreensível». Nas cores, o estilista privilegiou o preto caviar, o amarelo mostarda, o azul-marinho escuro, o azul olimpo com mistura dos tons safira e cobalto e o branco marshmellow.

O último dia de desfiles arrancou às 12h30, no Museu do Carro Elétrico, com as propostas de Luís Buchinho. Intitulada "The missing piece”, a nova coleção foi «inteiramente inspirada em peças de puzzle a três dimensões, que nos impele para um universo dominado pela ideia de construção». Para tanto, o criador «revisitou peças clássicas e desconstruiu as formas originais do vestido tal como o concebemos. Lã, jersey e couro colidem para criar entre eles um efeito bidimensional e gráfico notável». As cores são neutras: preto, azul-marinho, cinza a pender para o verde. «A coleção é a própria expressão do espírito urbano, em que a feminilidade é confrontada com uma masculinidade tão complexa como um puzzle irresolúvel», disse o seu autor. 

Depois da coleção de Nuno Baltazar, revelada às 14h30, na Alfândega do Porto, teve lugar o habitual desfile coletivo de marcas de calçado e vestuário. Foram então apresentadas as novas coleções de calçado da JJ Heitor, da Ambitious, da Fly London, da Nobrand, da J. Reinaldo e da Dkode. Depois, foi a vez de serem conhecidas as novas linhas de pronto-a-vestir da Mad Dragon Seeker, Concreto e Cheyenne. Refira-se que no desfile da Cheyenne participou, como manequim, um jovem com Trissomia 21, no âmbito de uma parceria entre o Portugal Fashion e Associação Palco Sem Barreiras.

Estreia de Ana Sousa e regresso de Alexandra Moura   

A meio da tarde deu-se a estreia no Portugal Fashion da estilista Ana Sousa, cuja marca homónima possui 59 lojas em países como Portugal, Espanha, Luxemburgo, África do Sul ou Suíça, a que se soma a presença das suas coleções em mais de 310 lojas multimarca espalhadas pelo mundo. No evento, Ana Sousa deu a conhecer a coleção "Timeless”, que, segundo a criadora, «é marcada pelo eterno feminismo e recria um glamour escondido em influências do passado, revivendo histórias e memórias eternas». As silhuetas ora são soltas e leves, com estampados florais em tons de inverno, ora são sinuosas, com formas orgânicas, ora são justas, com peças relaxadas e descomprometidas em renda e napa. Por seu turno, as «transparências e sobreposições realçam o lado mais sexy e atrevido da coleção». 

Após o desfile de Katty Xiomara, assinalou-se o regresso ao evento de Alexandra Moura, uma das mais importantes criadoras portuguesas da atualidade, que integrou o Portugal Fashion em 1996 e, mais recentemente, fez parte do calendário com a coleção desenhada para a marca de calçado Goldmud. O regresso de Alexandra Moura aconteceu já durante a última London Fashion Week, onde a criadora teve a oportunidade de expor, com o apoio do Portugal Fashion, a sua coleção outono/inverno 2016-17, não apenas em formato showroom, mas também através de uma performance aberta à imprensa especializada e a compradores internacionais.

No 38.º Portugal Fashion, Alexandra Moura apresentou a coleção "WoMan”, «uma reflexão sobre o impacto do feminino no masculino e vice-versa» inspirada na «personagem e a espiritualidade de Anohni (F.K.A. Antony Hegarty)». «A silhueta clássica é desconstruída e torna-se contemporânea. O peso dos materiais revela a imagem do conforto de um cobertor que protege de uma "falsa identidade". A sofisticação das texturas e padrões trazem às peças o romantismo e a plasticidade de outra época. A coleção liberta-se numa mistura de características femininas e masculinas num único ser, espírito e energia», explicou a criadora.

O 38.º Portugal Fashion terminou com o melhor da indústria de vestuário nacional. Primeiro, a alta alfaiataria da Dielmar, depois o pronto-a-vestir de inspiração britânica da Lion of Porches e, por fim, os clássicos masculinos da Vicri.  

Importa recordar que, antes dos desfiles do Porto, foram apresentadas no Convento do Beato, em Lisboa, as coleções para a estação fria das consagradas duplas Storytailors e Alves/Gonçalves, dos criadores emergentes Susana Bettencourt e Estelita Mendonça e dos jovens designers da marca HIBU e do projeto Arte Moda by Casa Pia. O evento arrancou, justamente, com a apresentação dos trabalhos finais dos alunos do curso profissional técnico de Design de Moda da Casa Pia, num desfile coletivo em que se divulgou o talento dos jovens criadores formados na instituição.

O Portugal Fashion é um projeto da responsabilidade da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários em parceria com a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, sendo atualmente financiado pelo Portugal 2020 – Compete 2020.