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Moda em diálogo com a arquitetura do novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa
Moda em diálogo com a arquitetura do novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa
Storytailors, Alexandra Moura, Susana Bettencourt, Pedro Pedro, Alves/Gonçalves, Carlos Gil e TM Collection by Teresa Martins foram os protagonistas do primeiro dia de desfiles do 42º Portugal Fashion, que arrancou no novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa.

«No 1.º dia do 42.º Portugal Fashion, os desfiles tiveram lugar num edifício que é já uma referência arquitetónica da Lisboa do século XXI. Aos criadores foi dada assim a oportunidade de apresentarem as suas coleções num cenário contemporâneo, urbano, cosmopolita, como é o novo Terminal de Cruzeiros. À sofisticação da arquitetura de Carrilho da Graça somou-se a sofisticação da moda portuguesa, num diálogo estético muito estimulante. Com a circunstância feliz de, neste 1.º dia de desfiles, contarmos com um cartaz com alguns dos maiores nomes da moda portuguesa», sublinha o diretor de comunicação do Portugal Fashion, Rafael Alves Rocha. 

O mesmo responsável acrescenta que esta edição do Portugal Fashion «é particularmente conseguida, com duas passerelles, em Lisboa e no Porto, capazes de fazer dos desfiles experiências de moda muito interessantes. Em Lisboa, o novo Terminal de Cruzeiros simboliza o Portugal moderno e aberto ao mundo. No Porto, instalámos no emblemático Parque da Cidade uma megaestrutura semelhante à dos grandes shows de moda internacionais, garantindo comodidade e funcionalidade acrescidas». 

Quanto à line up, Rafael Alves Rocha destaca «um programa de desfiles muito heterogéneo, como é apanágio do Portugal Fashion. Temos moda de autor de grande qualidade, quer assinada por criadores consagrados, quer por jovens designers, mas também propostas comerciais de vestuário e calçado, vertente que o evento sempre privilegiou». Aliás, «essa mesma heterogeneidade esteve patente no showroom Brand Up, que incluiu criações de várias fileiras da moda e ainda marcas de produtos lifestyle».  



Propostas ecléticas para a estação fria


Rompendo com as convenções dos desfiles tradicionais, os Storytailors apresentaram uma coleção gender fluid, com peças divisíveis através de fechos e conjugáveis entre si. Isto significa, por exemplo, que metade de um casaco pode ser combinada com a metade de outro. Na coleção "111”, dizem os criadores, «as peças existem em mais do que uma dimensão: são reversíveis, manipuláveis ou portadoras de mensagens», pelo que «a liberdade criativa e interpretativa de emoções, de expressão e de partilha é elevada». Trata-se, pois, de uma coleção que se define pela «equação arte + artesanato + tecnologia = intemporalidade Storytailors».

Nos materiais, os Storytailors privilegiaram o neopreno, as fazendas, o cupro, os jerseys metalizados, a popelina de algodão, a ganga, o cetim, o marocain, a georgette e o tule. As matérias-primas naturais coexistem com materiais tecnológicos e acabamentos metalizados. Quanto à paleta cromática, avultam o branco, o preto, o vermelho, o dourado e o prateado, embora também surjam derivados das cores principais e o azul em gangas.

Com a coleção "I’am ", Alexandra Moura revisitou a sua história pessoal desde a infância à adolescência. Os padrões foram desenvolvidos sob a influência de filmes como "Blade Runner”, "E.T. – O Extraterrestre” e "Encontros Imediatos do 3º. Grau” e foram beber à melancolia e espírito underground de bandas como os Jesus and Mary Chain, The Smiths e My Bloody Valentine e à estética psicadélica dos Primal Scream. A irreverência de Tupac Shakur foi também uma influência de Alexandra Moura, sendo responsável pelo olhar socialmente crítico da criadora nesta coleção.

Nas suas mais recentes propostas, Alexandra Moura reintroduziu os trench-coats e vestidos oversized e colaborou, pela terceira vez, com a marca portuguesa Duffy no desenvolvimento de puffer jackets e acessórios. Há assimetrias nas roupas e uma relação entre peças oversized e peças ajustadas, que cria um jogo de opostos na silhueta. Nos materiais, o tule delicado, a lycra e o cetim estampados combinam com o jacquard, o algodão e a lã, estabelecendo uma ponte entre o clássico e o contemporâneo. Deve realçar-se, ainda, o uso de tartan em certas peças. 

"Machine after machine” é o título da coleção de Susana Bettencourt, que evoca as transformações sociais resultantes da rápida evolução tecnológica. Um grupo etário particularmente afetado por essa evolução são as crianças, o que serve de pretexto para a criadora apresentar, pela primeira vez, propostas para os mais pequenos. A coleção é também marcada pelo uso de fios únicos e personalizados, criados em parceria com a Fifitex.

Como habitualmente, as malhas tricotadas grossas conhecem um grande protagonismo na coleção de Susana Bettencourt, desta vez fundindo-se com a bombazine brilhante. Os volumes foram criados com fitas de malhas e franzidos, enquanto o brilho dúbio do chenil combina com jacquards de padrões fortes.

Seguiu-se a coleção de Pedro Pedro, que, em fevereiro, integrou o calendário da Milano Moda Donna, com o apoio do Portugal Fashion. Em Lisboa, o criador apresentou "Le Bureau”, que rompe com o casual sportswear e propõe uma nova abordagem do workwear. Sobressaem as peças fluidas, de formas soltas e oversize, em que as bainhas se alongam para acentuar uma silhueta mais longilínea. As cores e padrões variam entre o camel, o preto e branco, o azul, o laranja e o verde. Algodões, sarjas brutas, lãs grossas e materiais impermeáveis e protetores estão em destaque nesta coleção. 

A dupla Alves/Gonçalves desenvolveu, na sua nova coleção, looks de apelo urbano, nos quais se verifica, nas palavras dos criadores, uma «transgressão dos códigos clássicos», um «aproach a um novo feminino» e um «olhar subtil sobre o vestuário de desporto (motar e mergulho)». Tudo isto explorando novas formas e manipulando tecidos, dando-lhes uma nova identidade. Destacam-se as estampagens, as plissagens e os "coats" sobre os tecidos. Os tules, os veludos, as sedas, as rendas e o nylon são os materiais presentes nas novas propostas dos "Manéis”. 

De regresso da Milano Moda Donna, onde em fevereiro apresentou as suas novas propostas com o apoio do Portugal Fashion, Carlos Gil «explora o universo da cidade que nunca dorme» na coleção "Vinte e Quatro Horas”. Os detalhes destas novas criações remetem para o imaginário disco sound dos anos 70-80, combinando a sofisticação urbana e as silhuetas elegantes que são características do criador com peças sporty para o dia a dia da mulher citadina. A paleta de cores oscila entre tons quentes e frios, ao mesmo tempo que o padrão de riscas confere dinâmica à silhueta que, apesar de reta, transmite movimento através de jogos de cor e pregueados. 

A TMcollection by Teresa Martins apresentou a coleção "Forest path – A journey within…”, que reafirma a aposta da marca em tecidos naturais de cores fortes com impressões, texturas e bordados. Para a próxima estação fria, a silhueta é leve, as formas soltas e as cores próximas dos tons da floresta (verdes profundos, azuis, castanhos, magenta e mostarda). Nos materiais foi dada preferência às lãs, sedas e algodões.

Resta dizer que o Portugal Fashion – um projeto da responsabilidade da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, desenvolvido em parceria com a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal – é cofinanciado pelo Portugal 2020, no âmbito do Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização – Compete 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.