FacebookTwitterInstagramVimeoPinterest
Os deuses do Olimpo devem estar loucos
Os deuses do Olimpo devem estar loucos
Se isto fosse um filme, poderíamos improvisar o argumento: Zeus & Companhia descem à terra e entre mergulhos na praia de Ipanema observam a maravilhosa Gisele Bündchen brilhar na maior passerelle de toda a sua vida, aquela que pisou na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos na também cidade maravilhosa. E mais espantados ficam com as fatiotas das comitivas olímpicas. É então que têm uma epifania…

"Por que não levar os incríveis designers responsáveis pelos uniformes de diversas seleções em competição nos Jogos para o Olimpo?”, pensam. Avisamos já, caros deuses, que se não é uma missão impossível (não menosprezando os vossos superpoderes, claro está!), será certamente uma tarefa hercúlea. Daremos uma ajudinha, sendo certo que não aceitaremos qualquer acusação de cumplicidade no rapto, ora pois! Afinal, queremos deuses im-pe-ca-vel-men-te vestidos.

Comecemos por Cuba. Os fatos formais dos atletas conterrâneos de Fidel Castro tiveram assinatura de Christian Louboutin. Sim, esse mesmo, o designer que criou os famosos sapatos de sola vermelha, aqueles pelos quais qualquer mulher daria um dedo mindinho para adquirir um par. Ao criador juntou-se a Sporty.Henri.com, do ex-jogador de andebol Henri Tai, e a parceria resultou numa coleção  "elegante e fluida nos movimentos”.

Atravessemos agora o Atlântico e façamos uma paragem em terras de Sua Majestade, a última anfitriã dos Jogos Olímpicos. Para a representação no Rio a comitiva contou com a designer Stella McCartney, que se associou à Adidas para criar um conjunto de peças que evoca a grandiosidade do Reino Unido. Para a designer há uma peça-chave a destacar: o icónico new coat of arms, que combina a heráldica britânica (aos leões acrescentam-se rosas e tochas olímpicas), com a perseverança da própria criadora, que confessou recentemente à British Vogue que o processo para obter a autorização deste desenho por parte das instituições governamentais foi moroso. Uma verdadeira conquista que antecedeu as medalhas que agora obtiveram.

Passando o Canal da Mancha estamos na pátria do meilleur ennemi de l’Angleterre. Certo é que podemos não encontrar crocodilos em França, mas na verdade coube à marca Lacoste (sob a direção criativa do designer português Filipe Oliveira Baptista) vestir os atletas gauleses. Considerando a elegância desportiva característica da marca houve um apontamento inovador que se destacou entre a sobriedade do branco e do azul-marinho: o próprio símbolo da Lacoste – o crocodilo – em formato tricolor, condizente com a bandeira do país. Em menor grau o uso da cor vermelha, ou não fosse ela também uma legítima representante das cores da nação francesa, acrescentando um je ne sais quoi aos já singulares fatos.

Rumo a norte, na Escandinávia, a seleção sueca incorporou no vestuário a filosofia sustentável da H&M. A marca tem de resto construído uma sólida afirmação no panorama internacional da indústria da moda, concorrendo diretamente com outro colosso da fast fashion para a pole position, o grupo Inditex. De assinalar ainda que esta não foi a primeira colaboração que uniu o comité olímpico da Suécia e uma das mais famosas marcas suecas a nível mundial: nos Jogos Olímpicos de Inverno 2014, que decorreram em Sochi, a H&M estreou-se ao vestir a comitiva do país.

Navegando por outros continentes

Deuses continuam atentos? É que pelo andar da carruagem ainda têm milhares de milhas para percorrer. Voltemos às Américas, desta feita em direção à aurora boreal. No Canadá, os irmãos gémeos Dean e Dan Caten, os rostos por detrás da Dsquared2, idealizaram os fatos do grupo olímpico. O inconfundível look streetwear da marca aliado ao destaque dado ao símbolo nacional do país – a folha de bordo vermelha (se quisermos ser mais rigorosos o termo botânico é folha de ácer) resultam em uniformes despretensiosos, mas simultaneamente distintos: o tão aclamado estilo casual chic.

Malas feitas e partindo para oriente, aconselha-se uma vistoria ao guarda-roupa dos sul-coreanos. Não propriamente pelo design – sem qualquer nota de desmérito neste campo, diga-se –, mas devido ao fator inovação a ele associado. Sempre na vanguarda da tecnologia, a Coreia do Sul desenvolveu fatos com tecidos que incorporam um químico que atua como repelente do vírus Zika. Não fosse o diabo (ou o mosquito) tecê-las!

Finalmente chegamos à Oceânia, mais precisamente à Austrália. A delegação dos aussies adotou uniformes de imagem futurista concebidos pela Sportscraft. Os fatos não deixaram, contudo, de prestar homenagem aos gloriosos antepassados do estado-membro fundador da Commonwealth. Aliás, tal tributo ficou visualmente expresso nos forros dos casacos que desfilaram na cerimónia de abertura dos Jogos.

Seleção portuguesa adota a ganga e veste Salsa

Porque não queremos ser acusados de favorecimentos em causa própria, mencionaremos a delegação portuguesa para que os deuses nos ouçam. Podia muito bem ter entrado no estádio do Maracanã a dançar Salsa, já que foi esta a marca nacional responsável pelos trajes que vimos os atletas olímpicos envergar nas cerimónias de abertura e encerramento, e que foram integralmente fabricados em denim. De acordo com o Público Lifestyle, "as peças inspiram-se na tendência patch, com remendos de ganga nas calças, e todas têm ‘emblemas oficiais e decorativos, tais como o coração de Viana em filigrana, a bandeira de Portugal, excertos do hino e a cruz da Ordem de Cristo’”. Sem dúvida, uma verdadeira inspiração para uma nação com alma vencedora.

Final do enredo olímpico

Com tão belos exemplares de criatividade e observando a estética apurada dos designers, acreditamos que até ao olhar dos deuses será difícil escolher as nações olímpicas mais fashion. Aliás, fica no ar a pergunta: será a carruagem capaz de regressar ao Olimpo transportando tamanha genialidade? Certamente não seremos nós a fazer a seleção, a Zeus o que é de Zeus. Certo sim, é que as vestes brancas da Grécia antiga têm os dias contados. De outra forma, não tivessem os deuses descido até ao Rio de Janeiro.

E porque dos fracos não reza a História, façamos jus a outras seleções que outrora se apresentaram nos Jogos Olímpicos ao seu melhor nível. De uniformes, é claro.


Fonte: Forbes.com

Créditos fotográficos: Site oficial Rio 2016, Comités Olímpicos das seleções ilustradas e Salsa.pt