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Portugal Fashion FW16
Portugal Fashion FW16

Foi uma edição profícua em cobertura mediática. Com um line-up que incluiu 24 criadores (22 em nome individual e duas duplas), oito marcas de vestuário e seis de calçado, 13 jovens designers (cinco em nome individual e oito finalistas do Concurso Bloom) e três marcas de jovens designers, estavam assim reunidas todas as condições que efetivaram a presença de meios da imprensa nacional e internacional, bem como fashion bloggers de renome que, entre os milhares de pessoas que acompanharam os desfiles do 38º Portugal Fashion, registaram as tendências para o próximo outono-inverno.

Sobre o primeiro dia do calendário, que ocorreu no Convento do Beato, em Lisboa, o arranque pertenceu à dupla Storytailors, cuja coleção se evidenciou pela sobreposição de camadas, com recurso à utilização de diferentes texturas, cortes e aplicação de motivos. À marca HIBU. coube a responsabilidade de abrir a plataforma Bloom, espaço consignado aos jovens criadores, num desfile pautado pela já característica imagem andrógena dos figurinos, em que as tonalidades rosa, azul e tom de pele imperaram. Susana Bettencourt e Estelita Mendonça, criadores que iniciaram o seu percurso na plataforma Bloom e partilham agora a apresentação das suas coleções, foram observados com atenção pela imprensa internacional presente no desfile, com momentos captados pela Elle e Vogue Italia, respetivamente. A experiente dupla Alves/Gonçalves encerrou o arranque daquele que foi o primeiro dia do evento, com uma coleção repleta de brilhos e plissados, como de resto se pode ver nesta fotogaleria. De assinalar ainda, a inclusão no arranque desta edição do projeto Arte Moda, da Casa Pia, que reuniu as propostas de cinco alunos da instituição de ensino.

Rumo à cidade invicta, o Portugal Fashion transportou-se para o CEIIA – Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel durante o segundo dia de desfiles. O portuense Júlio Torcato abriu a passerelle com propostas que incluíram "denim e riscas clássicas, tartans, transparências e lãs”, ao passo que Pedro Pedro optou por "silhuetas agigantadas e cortes assimétricos”. Já o jovem designer Hugo Costa, cujo conceito da coleção se desenvolveu em torno da "Metamorphosis”, cativou a Superior Magazine. A marca Pé de Chumbo, da designer Alexandra Oliveira, estreou-se na edição com "lãs, rendilhados e transparências” e uma grande variedade de texturas, antecedendo Anabela Baldaque que, após a celebração dos 30 anos de carreira em 2015, surpreendeu com um conjunto de coordenados que se inspiraram n’ "A Vizinha”, uma figura que remete para "a liberdade que sentimos quando sonhamos, como um caminho aberto para irmos onde nos apetece”. Por fim, a consagrada Fátima Lopes fechou o segundo dia de desfiles, com uma coleção "Versátil” que, segundo a própria, possibilita a aplicação das peças em diferentes contextos, para ambientes formais ou mais causal, de acordo com a forma como são conjugadas.

No terceiro e quarto dias de Portugal Fashion, o regresso à "casa-mãe” – a Alfândega do Porto – decorreu com um programa repleto de desfiles, que para além das propostas dos criadores nacionais, acolheu ainda no calendário uma marca e dois designers moçambicanos – a marca Ideias a Metro (da dupla Carla Pinto e Nela Avelar), Omar Adelino e Shaazia Adam, fruto da parceria que o Portugal Fashion estabeleceu com a Mozambique Fashion Week em dezembro último. Especificamente, o terceiro dia abriu com duas novas estreias na passerelle principal, provenientes da plataforma Bloom. Fala-se de Carla Pontes e Mafalda Fonseca, que também apresentaram recentemente as suas coleções na London Fashion Week, através do projeto Next Step, iniciativa que visa fomentar a internacionalização e exportação de criadores e marcas nacionais, com especial enfoque nos mais jovens. De assinalar também a estreia absoluta no certame das bloomers Maria Kobrock e Sara Maia, cujas coleções versaram, respetivamente, a "ideia de movimento e continuidade” e a utilização de "materiais naturais e tradicionais como lã e fazendas”. Pela segunda vez consecutiva no Portugal Fashion, mas agora com desfiles individuais, as propostas de Inês Marques e da marca [UN]T, de Tiago Silva, fizeram buzz na imprensa nacional. Também com um passado associado à plataforma Bloom, Daniela Barros apresentou coordenados de construção oversized e detalhes masculinos, pautados por blocos de cor, que figuraram entre os oito favoritos eleitos pela Brunch Magazine.

Num dia marcado pela emersão de novos talentos do mundo da moda, sublinhe-se ainda o espaço consignado ao Concurso Bloom, que acolheu as propostas de oito finalistas. A grande vitória coube à marca Amorphous, da jovem designer Carla Alves, não obstante estes três nomes – Inês Maia, Sara Marques e David Catalan – terem sido igualmente premiados e partilharem, com a primeira classificada, o benefício de poderem voltar a apresentar e divulgar o seu trabalho no espaço Bloom durante as duas próximas edições, contando para isso com um conjunto de apoios de ordem financeira, técnica, promocional e estratégica.

Mas não só de jovens designers se fez o calendário do terceiro dia de Portugal Fashion. A passerelle revelou ainda as propostas "dramáticas” de Elsa Barreto, os plissados de inspiração vintage de Carlos Gil, o feminismo e elegância das silhuetas Diogo Miranda, o contraste marcado pelo "Coração Selvagem” de Luís Onofre e a coleção de Miguel Vieira salpicada de "Cor”.

O último dia da 38ª edição do Portugal Fashion abriu com o desfile de Luís Buchinho no Museu do Carro Elétrico. Recém-chegado da semana de moda de Paris onde integrou o roteiro internacional do certame a par com Miguel Vieira, os coordenados do designer fizeram furor também entre a imprensa internacional. Transitando novamente o certame para a Alfândega do Porto, foi Nuno Baltazar quem abriu o primeiro desfile da tarde, sob tema "Circus”, uma coleção que pretendeu aprofundar o "lado negro das mulheres”. Seguiu-se a apresentação das propostas de calçado, com desfiles das marcas JJ Heitor, Ambitious, Fly London, Nobrand, J. Reinaldo e Dkode, e da indústria, representada pelas marcas nacionais Mad Dragon Seeker, Concreto e Cheyenne. Quanto ao espaço Bloom despediu-se nesta edição com as propostas de Eduardo Amorim, do trio K L A R e de Pedro Neto, jovens designers que também fizeram parte das escolhas da criteriosa TENMAG.

Voltando à passerelle principal, em estreia absoluta no Portugal Fashion, Ana Sousa é um bom exemplo da longevidade na indústria, como de resto o registou a RTP1. Assinale-se ainda o romantismo futurista de Katty Xiomara, observado pela Harper’s Bazaar Argentina; o regresso de Alexandra Moura com uma coleção dramática e teatral, em que silhueta de base foi clássica e os detalhes inspirados em tempos idos; as propostas masculinas da Dielmar, com coordenados versáteis influenciados pelas vestes dos grandes clássicos masculinos dos anos 70 e 80; o "urban British Rock” da Lion of Porches; e, por fim, a sobriedade da Vicri ao serviço de um homem boémio e sensual.

Uma edição que contou ainda com outro plus: a associação à app Cuckuu, uma rede social que agrega os utilizadores através da partilha de alarmes e que provocou buzz entre o público presente. Das interações lançadas pela equipa Cucckuu criaram-se 64 alarmes, que mereceram a adesão de perto de três mil pessoas, sendo que deste número cerca de dois terços obteve o acesso a conteúdos exclusivos. 

Em suma, um line-up que mobilizou criadores consagrados e jovens talentos, que aliou o conceito de criatividade à realidade do negócio, e que uniu vários críticos nacionais e internacionais em torno de um único statement: Portugal está na moda!