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Portugal Fashion: o melhor da moda portuguesa sob o lema da sustentabilidade
Portugal Fashion: o melhor da moda portuguesa sob o lema da sustentabilidade
O fim é sempre o início. Que se quer maior e melhor; ou diferente. O 44.º Portugal Fashion ficou lá atrás mas não significa que esteja esquecido. Nos quatro dias do melhor da moda portuguesa a Alfândega do Porto foi, uma vez mais, ou outra vez, a casa da moda portuguesa. E tudo aconteceu de 14 a 17 de março, lado a lado com o rio Douro e o sol a acompanhar lá bem no alto.

Nesta edição abraçámos a ideia de sustentabilidade. Quisemos dizer ao mundo em geral, e ao da moda em particular, que o futuro tem de ser verde, que as preocupações ambientais têm de estar no pensamento e atitudes diárias de cada um. De cada um de nós, repita-se, para que a mensagem seja mais assertiva. 

Mais de 30 desfiles, entre criadores e marcas, e várias apresentações depois, o que fica é o (bonito) balanço. O "mundo pula e avança", escreveu António Gedeão, e o Portugal Fashion cresce tendo sempre como base esse lema. Trabalhando para fazer sempre mais e melhor, para corresponder sempre às expectativas que aumentam de edição para edição, ano após ano, vamos pulando e avançando, deixando que o sonho nos vá indicando o caminho da vida.

37 mil pessoas visitaram o Portugal Fashion e foram espectadores principais de um caminho que começou a ser construído meses antes fora de Portugal. Oito designers, três capitais da moda, e duas estreias. Hugo Costa (na semana de homem), Luís Buchinho, Diogo Miranda e a dupla Marques’Almeida, na de mulher, foram mostrar a Paris que a moda portuguesa conta e tem impacto internacional. 

Miguel Vieira foi o primeiro a levar até Milão a roupa masculina, seguindo-se Katty Xiomara e Alexandra Moura no universo feminino. Alexandra que se estreou em calendário oficial de desfiles, ao lado de grandes nomes da moda internacional, como a Prada, a Gucci, entre outros. Em Londres, Sophia Kah usou o lado mais intimista da moda e fez uma apresentação num dos mais conceituados clubes privados londrinos, o Mark's Club.

O Portugal Fashion começou em Lisboa com os desfiles de Carlos Gil e Nycole, dias 9 e 10 de março, respetivamente. Os dois designers desfilaram na capital portuguesa, powered by Portugal Fashion, ao abrigo do acordo de cooperação entre os dois eventos - que prevê, entre outras iniciativas conjuntas de promoção da moda portuguesa, o intercâmbio de criadores e marcas - e protagonizaram dois dos grandes desfiles da ModaLisboa.


Quatro dias de elevação da moda nacional


De regresso a Portugal, e ao Porto, os quatro dias de Portugal Fashion começaram com os designers mais novos na plataforma Bloom, e uma outra que nasceu nesta edição: o Bloom Upload, com um conceito de apresentações mais performativas. Depois deles, foi a vez de Júlio Torcato, Hugo Costa e Maria Gambina tomarem as rédeas de uma quinta-feira que marcou o ritmo para os três dias seguintes.

Sexta-feira, segundo dia de Portugal Fashion, e um arranque de olhos postos no futuro da moda portuguesa. Inês Torcato, Sara Maia, e um desfile duplo na passerelle principal das ex-bloomers que já são uma certeza absoluta da qualidade que existe e está ali para ser agarrada com unhas e dentes. Seguiu-se Estelista Mendonça, outro talento saído da plataforma Bloom que, numa ação performativa, mostrou a todos o seu enorme potencial e talento.

O dia seguiu com Ana Teresa de Sousa, o nome que dá nome, pedindo desculpa pela repetição, à marca Sophia Kah e aos vestidos de alta-costura portuguesa que já vestiu personalidades como Beyoncé, Keira Knightley, Nelly Furtado ou Florence Welch. Seguiu-se a coleção "Maria Mimosa” de Katty Xiomara, impulsionada pelo convite da Sanrio para criar uma minicolecção comemorativa dos 45 anos da Hello Kitty, que a criadora havia mostrado em Milão pouco tempo antes.

Seguiram-me Pé de Chumbo e TM by Teresa Martins, e dois momentos dedicados à sustentabilidade. A primeira ao incluir na sua coleção casacos com fios reaproveitados e pelo de poliéster reciclado do plástico dos oceanos. Já Teresa Martins optou pela utilização de tecidos naturais, recorrendo a técnicas de confeção tradicionais.

Os dois desfiles seguintes foram como que uma espécie de homenagem às mulheres do passado, pelas mãos de dois designers que respeitam o corpo, o estado de alma e a força do sexo feminino. Diogo Miranda, inspirou-se no filme "Indochina” e na personagem de Catherine Deneuve, e Luís Buchinho foi buscar o uniforme das mulheres pioneiras da aviação da década de 1940.

A terminar o segundo dia, Miguel Vieira, viajou até África e de lá trouxe o (seu) inverno, depois de o ter levado a Milão, em janeiro, naquela que foi a sua 5ª participação consecutiva na Milano Moda Uomo. Se o frio é psicológico e possível de ser "combatido” com a força, e a vontade, da mente, a moda é real e esteve bem à vista de todos.


No último dia o universo juntou-se à vida para mostrar o caminho da moda


O terceiro dia de Portugal Fashion arrancou com o desfile de Nuno Baltazar, seguido da marca Meam e da designer Susana Bettencourt, com a sua coleção "Stop The Clock”. Um formato de apresentação que foi ao mesmo tempo uma reflexão sobre "sociedade automatizada em que vivemos”.

Também a indústria do calçado teve lugar destacado neste terceiro dia, com o desfile coletivo de sapatos e marroquinaria, seguindo-se a marca de vestuário Concreto e a designer Micaela Oliveira que, recorrendo ao imaginário nupcial, fez desfilar, uma vez mais, a alta costura na passerelle do Portugal Fashion.

Para a abertura do encerramento da noite, a dupla de ‘enfants terribles’ da moda portuguesa: Alves/Gonçalves, que se fazem sempre acompanhar pela sua irreverência elegante, ou elegância irreverente para os mais poéticos. Por falar em elegância, o encerramento do terceiro dia de Portugal Fashion esteve nos pés de Luís Onofre, cujos sapatos já ajudaram a caminhar personalidades como Letizia Ortiz, Michelle Obama, Naomi Watts ou Paris Hilton.

Para o quarto e último dia de Portugal Fashion, uma novidade que interessou a miúdos e graúdos. O Portugal Fashion Kids estreou numa manhã inteiramente dedicada aos petizes, abrindo portas, janelas e puxando unicórnios para o primeiro desfile da tarde com a dupla Marques’Almeida, que repetiram o sucesso alcançado em fevereiro na Semana da Moda de Paris.

Outro nome incontornável da moda portuguesa esteve no último dia de desfiles. Alexandra Moura, que se estreou em calendário oficial de desfiles na Semana da Moda de Milão, apresentou a sua coleção sob o olhar atento de Rosa Ramalho, a ceramista das artes fantásticas. É bem possível que o unicórnio das crianças, aquele que apareceu ali em cima, tenha vindo das mãos de Rosa. 

A fechar o Portugal Fashion dois ex-bloomers - Carla Pontes e David Catalán. "Remember Where You Come From”, coleção da primeira, e "Still Alive”, do segundo, combinam o ’slow fashion’, movimento que valoriza as tradições locais e defende a sustentabilidade da indústria da moda e a aventura, que pegou na escalada para inspiração primordial. Como se o universo se tivesse juntando à vida para dizer que o futuro da moda está ali, logo atrás do (bem) alto daquela colina.  

Fechando o resumo de quatro dias de Portugal Fashion, é impossível não destacar o contribuo dos sponsors e parceiros que connosco ajudaram a construir o que é sempre visto como um sonho, mas que se torna tão real dado a importância que tem. Com eles conseguimos dinamizar um espaço e um evento, materializando as nossas ideias e posicionamentos. Obrigado por isso, e pelos anos que se seguirão. Seguimos todos juntos numa estrada que se quer sem fim.

O Portugal Fashion é um projeto da responsabilidade da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, desenvolvido em parceria com a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. O evento é financiado pelo Portugal 2020, no âmbito do Compete 2020 – Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização, com fundos provenientes da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.