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REGRESSO AO SOFÁ PARA UMA EDIÇÃO DIGITAL COM MODA, ENTREVISTAS, TALKS E MUITO HUMOR
REGRESSO AO SOFÁ PARA UMA EDIÇÃO DIGITAL COM MODA, ENTREVISTAS, TALKS E MUITO HUMOR
O 48.º Portugal Fashion outono-inverno 2021-22 regressou para um 2.º take, renovando o convite para assistir ao melhor da moda nacional no conforto do sofá. Para os dias 22, 23 e 24 de abril, a última etapa da sofa edition contou com uma emissão inteiramente digital de desfiles, apresentações, entrevistas, reportagens, debates e muito humor. Não faltaram, pois, bons motivos para ficar refastelado no sofá, eventualmente de pantufas e com um balde de pipocas, a assistir a uma diversificada emissão online de moda. 

Durante a emissão, foram reveladas as novas coleções de Alves/Gonçalves, Concreto, Diogo Miranda, Hugo Costa, Luís Onofre, Marques’Almeida, Pé de Chumbo, Sophia Kah e Susana Bettencourt, bem como as criações de estudantes de moda e de jovens designers do Bloom. Houve ainda a oportunidade de conhecer os uniformes e os equipamentos desportivos da Seleção Nacional para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, concebidos pela Decenio e pela Joma, respetivamente. Destaque também para as estreias no evento de Nuno Miguel Ramos e da marca Davii, na nova rubrica "Welcome to Porto”.

Tudo isto teve transmissão em livestream no site www.portugalfashion.com e nas redes sociais do evento: Facebook e Instagram. A atriz e apresentadora Raquel Strada conduziu a emissão e entrevistou os protagonistas do evento, enquanto o humorista Hugo Van Der Ding foi o pivot dos lives do Instagram, durante os quais conversou com vários convidados e realizou entrevistas nos bastidores do evento. Refira-se que Hugo van der Ding foi o responsável criativo da campanha promocional desta 48.ª edição e publicou pequenos sketches ilustrados nas redes sociais do Portugal Fashion. 

Ao jornalista Renato Duarte coube, por seu turno, conduzir as seis talks do webinar "Thinking Fashion”. Em cada talk, personalidades da indústria da moda debateram questões da maior atualidade e importância para a fileira, como a transição digital, a sustentabilidade ambiental, o branding, a responsabilidade social, os novos talentos, a iniciativa empresarial, as indústrias criativas, entre outras.  

Sendo uma edição 100% digital, houve uma grande preocupação em produzir vídeos que não só reproduzissem fielmente o design, inventividade e elegância das peças como recriassem o imaginário estético das coleções em diálogo com a identidade visual do Portugal Fashion. Por isso, a grande maioria dos vídeos foi gravada na Alfândega do Porto, tirando partido da força cénica dos seus diferentes espaços (salas, corredores, biblioteca, furnas, áreas exteriores, etc.). Os desfiles e produções de moda exploram esteticamente os recursos físicos do edifício de uma forma inédita no evento, e apenas possível num formato sem público.

"O sucesso do take 1 deu-nos um ânimo extra e também uma responsabilidade acrescida para produzir, agora, uma grande emissão online de moda. Isto significa tirar o máximo partido das potencialidades do digital e apresentar uma programação com múltiplos motivos de interesse, desde os vídeos das coleções, muito bem trabalhados estética e conceptualmente, às entrevistas, reportagens e debates”, sublinhou a diretora do Portugal Fashion, Mónica Neto. Creio que este 2.º take vai, à semelhança do 1.º, ser muito interessante, vivo, interativo e divertido”, garantiu a mesma responsável.


Sophia Kah em modo "holiday chic”

Depois de um primeiro take entre 18 e 20 de março último, o regresso da "edição de sofá” (sofa edition) – assim designada por se realizar em ambiente digital e estar, por isso, em conformidade com as medidas de contenção da pandemia de covid-19 – fez-se na quinta-feira, 22 de abril, a partir das 17h30. A programação deste 2.º take arrancou com o desfile das escolas de moda (CENATEX, EMP, ESAD, FAUL, MODATEX Lisboa) no âmbito do projeto Bloom, que é dedicado a novos talentos. 

Às 18h00, foram dadas as boas-vindas ao jovem designer Nuno Miguel Ramos, que se estreou no Portugal Fashion numa rubrica sugestivamente intitulada "Welcome to Porto”, que, como o nome indica, visou revelar novos nomes da moda. Nuno Miguel Ramos estudou na Escola de Arte e Design F + F em Zurique, na Suíça, formou-se na École de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne em Paris e trabalhou, primeiro, como designer de produto com Caroline De Marchi e, depois, como designer assistente de Sonia Rykiel e como designer na IRIÉ, em Paris. É também fotógrafo e pintor. 

Depois dos desfiles da bloomer Carolina Sobral (18H30) e da marca de vestuário Concreto (19h00), foi altura para conhecer a nova coleção de Sophia Kah (19h30). As propostas da marca criada pela designer Ana Teixeira de Sousa, que está radicada em Londres, foram gravadas no deslumbrante vale do Douro e assumem um conceito "holiday chic”. Concebida para a primavera/verão 2021, a coleção de Sophia Kah junta peças confortáveis e versáteis mas de grande elegância, nas quais sobressaem as mangas com folhos ou em balão, os ilhós, os tops curtos e em camadas e as minibainhas. 

O dia terminou com a coleção de Susana Bettencourt (20h00), "O lugar”, que representa, segundo a criadora, uma "troca de paradigmas através da descontextualização de um dos símbolos portugueses: a nossa típica e peculiar casa portuguesa”. Susana Bettencourt voltou a centrar-se nas suas emblemáticas malhas artesanais, desta feita com o croché a assumir um maior protagonismo gráfico, conferindo volume e texturas diferenciadas às peças da coleção. Predominam as cores primárias, destacando-se o "azul céu”, o "amarelo sol”, o "branco esperança”, o "vermelho garra” e o "preto abismo”. Com esta coleção, a criadora reflete sobre a crise pandémica que estamos a viver, surgindo a ideia de "casa”, neste contexto, como uma "proteção que nos prende” e simultaneamente nos "desespera”.

Na sexta-feira, 23 de abril, a emissão do 48.º Portugal Fashion arrancou com desfiles Bloom (17h30) e mais uma estreia no "Welcome to Porto”, desta feita com a Davii (18h30). Esta marca foi fundada pelo designer brasileiro Davi, que abriu um atelier no Porto em 2017, depois de ter trabalhado durante muitos anos para casas famosas no Brasil e na América do Sul. Davi cria peças únicas à mão, com tecidos fluidos e seda. A leveza das suas criações simboliza a feminilidade etérea, essencial e sofisticada. 

Seguiu-se a marca Pé de Chumbo (19h00), com a coleção "Craziness”, que propõe, para a próxima estação fria, "tons de beges dourados, cinzas e pretos com toques de amarelo em peças cheias de brilhos e pelos ousados”. Estão em evidência, nesta coleção da marca de autor criada pela designer Alexandra Oliveira, os materiais ricos em formas casuais, os casacos de plástico reaproveitado (lixo do corte da indústria têxtil) e a mistura de formas volumosas.

Meia hora mais tarde, às 19h30, foi transmitido o desfile de Hugo Costa, criador que se tem notabilizado, nacional e internacionalmente, pelo arrojo das suas linhas de menswear.  Na coleção "Nimsdai” (referência a Nirmal "Nims" Purja, alpinista nepalês conhecido por ter escalado as 14 montanhas com mais de 8000 metros de altitude), Hugo Costa inspirou-se no conceito de resiliência (nomeadamente a capacidade de superação dos obstáculos) para criar peças desconstruídas, com formas largas e cores impressivas. 

A emissão do 2.º dia terminou com a nova coleção de Diogo Miranda, que, segundo o criador, é "um estudo sobre as silhuetas, com o foco na feminilidade e na elegância, na sua poesia, mas também na sua extravagância”. Para o outono/inverno de 2021-22, Diogo Miranda desenhou uma coleção eminentemente clássica, num tributo "à beleza intemporal e às peças eternas”. Destacam-se os casacos oversized, as camisas de smoking e a lingerie delicada. As cores são quentes, embora pontuadas com preto e marfim. A estética é effortless, combinando elegância com versatilidade. 


Sustentabilidade segundo Marques'Almeida 

No último dia de emissão, que representou o culminar do 1.º Portugal Fashion 100% digital, os desfiles Bloom marcaram o arranque da programação, seguindo-se a apresentação dos uniformes e equipamentos desportivos da Seleção Nacional para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (18h30). A Decenio, marca de vestuário do grupo Têxtil Cães de Pedra, criou os uniformes para as cerimónias de abertura e encerramento da competição, para os momentos formais de apresentação de cumprimentos e também para as ocasiões informais. Já a marca espanhola Joma desenvolveu os equipamentos desportivos para as cerimónias de subida ao pódio, para os treinos dos atletas e para o dia-a-dia na Aldeia Olímpica.
Às 19h00, teve lugar um dos momentos mais aguardados deste take 2 do 48º Portugal Fashion: a apresentação da coleção da Marques'Almeida. Esta marca de streewear contou com o apoio do Portugal Fashion na última Semana de Moda de Londres, que decorreu em fevereiro também em formato digital. Agora, a dupla portuguesa radicada em Londres, Marta Marques e Paulo Almeida, voltou a exibir o seu manifesto pela sustentabilidade ambiental e a responsabilidade social da moda na emissão digital do 48.º Portugal Fashion. 

O vídeo da Marques'Almeida foi gravado numa ponte suspensa, ainda não inaugurada, em Arouca e serviu de apresentação a uma coleção que, para além das habituais referências punk e grungy, se distingue por ser produzida localmente e incluir tingimento a partir de desperdícios, ganga feita de algodão reciclado, fibras biodegradáveis e tecido resultante de resíduos reciclados de plástico do oceano. Nenhuma das fibras da coleção foi produzida à base de petróleo, o que diz bem das preocupações ecológicas da marca.  

Seguiu-se no line up o vídeo da coleção de Luís Onofre (19h30), intitulada "Gloire”. O designer de calçado e marroquinaria, com clientes famosas internacionalmente, inspirou-se na grandiosidade militar de Napoleão Bonaparte para desenhar uma coleção onde "o design está ao serviço de uma essencialidade que não se deixa afetar pelo tempo”. No inverno de Luís Onofre, as botas versáteis (curtas, slim fit ou de cano franzido) estão em destaque. Mas também… as pantufas, que "podem ser glamourosas quando lhes acrescentamos a nobreza das aplicações metálicas ou a diversão colorida dos pelos”, garante Luís Onofre.  
Na coleção "Gloire”, "a robustez das galochas suaviza-se com o acréscimo dos saltos altos e a alvura do branco. As texanas regressam com os seus bordados contrastantes. A inovação surge através de um novo formato de salto curvo adornado com o monograma da marca, que sobressai em botins e stilettos”.  As ferragens de inspiração militar em prateado envelhecido são o ornamento que melhor representa a força desta coleção, sobretudo quando associadas a peles, pelos e camurças, sublinha o designer. Nos materiais, estão em foco as camurças vermelhas, rosa ou roxas adornadas a ouro. 


Alves/Gonçalves encerrou a 48.ª edição

A emissão de sábado terminou da melhor maneira com a coleção da dupla Alves/Gonçalves, que ensaia "uma fuga contra a melancolia, criando uma aura de mistério que foge aos padrões do normal/usual, preferindo silhuetas que se soltam, expandem, criando uma atmosfera cinematográfica”. Evidenciam-se na nova coleção dos "Manéis” os "casacos sumptuosos construídos em camadas”; os bordados, que "assumem um carácter luxuoso”; os "componentes techno sobre tecido, criando jogos de luz com o negro (brilho/mate)”; e os padrões desconstruídos pelo corte a laser. Tudo isto "num ambiente cromático onde se joga o negro, verde, rosas, laranja e azuis”. 

Importa relembrar que no 1.º take do 48.º Portugal Fashion outono-inverno 2021-22 foram transmitidos, nas noites de 18, 19 e 20 de março, os vídeos de apresentação das novas coleções de Alexandra Moura, David Catalán, Ernest W. Baker, Estelita Mendonça, Inês Torcato, Maria Carlos Baptista (Bloom), Maria Gambina, Miguel Vieira e Katty Xiomara. Tratou-se, pois, de uma emissão representativa da qualidade e diversidade da moda nacional. 

"Num contexto de crise pandémica, o Portugal Fashion não deixou de promover ativamente a moda portuguesa, contribuindo assim para a retoma da fileira e da economia nacional. Estivemos sempre ao lado de criadores e marcas, conscientes das suas atuais dificuldades e do apoio de que necessitam, designadamente para os seus processos de transição digital. De resto, com esta emissão totalmente online, provámos que o futuro da moda passa muito pelo digital, seja na promoção das coleções, seja na sua comercialização e na internacionalização das marcas”, salienta a diretora do Portugal Fashion, Mónica Neto.

Resta dizer que o Portugal Fashion é um projeto da responsabilidade da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, que conta com o apoio dos seus parceiros estratégicos e é cofinanciado pelo Portugal 2020, no âmbito do Compete 2020 – Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização, com fundos provenientes da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. O evento beneficia ainda do apoio da Câmara Municipal do Porto, que recentemente renovou o seu compromisso institucional com o Portugal Fashion.