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Rita Sá: “Sempre foi a moda, não me recordo de querer outra coisa”
Rita Sá: “Sempre foi a moda, não me recordo de querer outra coisa”
Foi uma das estreias da edição SS19 do Portugal Fashion, em outubro, onde protagonizou um desfile próprio no calendário do Bloom. Falamos de Rita Sá, a mais recente adição da plataforma para jovens criadores do projeto de moda da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, que tem conquistado passerelles nacionais e internacionais. O seu percurso na moda, a estética das suas criações e os momentos altos de 2018 foram apenas alguns temas abordados na conversa entre o Portugal Fashion e a designer Rita Sá.

Começámos por lhe perguntar como tudo começou e rapidamente percebemos que, quando chegou a hora de escolher um futuro, não havia outro caminho a seguir. "Foi tudo muito natural porque a resposta já era óbvia para mim. A verdade é que desde sempre foi a moda, não me recordo de querer outra coisa”, conta-nos. A família também teve papel forte na decisão, ou não tivesse sido a aptidão para as artes um fator influenciador nos seus interesses. Ainda assim, terá sido o lado funcional do design de moda que a atraiu para a área: "Talvez o que me tenha motivado mais foi a capacidade que o design tem em dar às pessoas a possibilidade de usar a arte de uma forma funcional”, diz-nos Rita. Nesta naturalidade de certezas, licencia-se em Design de Moda pela Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos (ESAD) apenas em 2017, um ano que lhe valeu, desde logo, várias distinções na área, dentro e fora do país, como o prémio FASHIONCLASH, que a levou a apresentar a sua coleção em Maastricht, na Holanda, e o prémio Vancouver Fashion Week, tendo a oportunidade de desfilar na prestigiada semana de moda canadiana. Ainda no preenchido ano de 2017, Rita é convidada a incluir o grupo dos três representantes portugueses no concurso Moda Portugal Fashion Design Competition, juntamente com outros nove países participantes, e torna-se finalista do concurso REBELPIN – Fashion Awards by ACTE, que decorreu em Berlim.

Uma carreira muito jovem e já tão preenchida, poderia dizer-se. Mas 2018 viria a reservar saltos ainda maiores para o percurso de Rita Sá, que foi marcado pela sua estreia no Portugal Fashion, ao abrigo da plataforma Bloom. "2018 foi sem dúvida um ano de descoberta e grande progresso para a marca, com grande visibilidade nacional e internacional”, afirma Rita. Um dos melhores momentos? Poder apresentar a coleção SS19 no Portugal Fashion. "O momento alto foi o lugar conquistado na plataforma Portugal Fashion, o lugar onde encontro as melhores ferramentas para conquistar o principal objetivo para a marca, que é a forte comercialização do produto”, completa. Rita já tem os olhos postos no crescimento comercial da marca, uma característica que considera importante para alcançar um lugar cativo no circuito da moda portuguesa e que o Bloom, sem dúvida, pode ajudar a tornar real, sob o mote de descobrir, promover, apoiar e acompanhar os jovens designers. "A possibilidade de apresentar as coleções em desfile, a comunicação feita pelo Portugal Fashion – que nos traz grande visibilidade – e o acompanhamento por um coordenador numa perspetiva comercial são ferramentas que temos ao nosso dispor para conquistar, gradualmente, um lugar no circuito da moda nacional”, considera a jovem criadora.

Quando a questionamos sobre como define a sua estética enquanto designer, Rita Sá não duvida minimamente da resposta. Uma marca "bastante contemporânea e conceptual”, que permite que as peças sejam manipuladas ao gosto de cada um e que se criem novas interpretações e funções. O que, na verdade, faz com que a designer acredite que o público que usa as suas criações seja "irreverente, com capacidade criativa para descobrir e manipular as suas peças em novas formas e usar”. 


Coleção FW18-19 de Rita Sá na XMAS FLASH SALE do Portugal Fashion

Aliás, criatividade parece ser o adjetivo perfeito para descrever a estética de Rita Sá e as coleções que
constrói, em que o monocromático – como são exemplo o azulão e o amarelo vivo das coleções de inverno e verão, respetivamente – se assume como uma das características mais marcantes. Mas porquê? "O monocromático surgiu de uma forma involuntária”, revela. "Quando desenvolvi a coleção FW18-19 apercebi-me de que desvalorizei por completo a cor, tendo-me concentrado apenas nas silhuetas e construção das peças. E aí percebi que tinha na minha frente uma coleção completamente conceptual e que não precisava, de todo, de mais informação. Por isso mesmo, "pintar” a coleção toda da mesma cor pareceu, na altura, a solução mais adequada. Sem me aperceber estava a definir a identidade da marca”, explica Rita. Assim, a jovem criadora consegue dar mais atenção ao processo de descoberta e construção das formas, ao mesmo tempo que cria uma maior curiosidade no público. A escolha da cor, essa, está sempre ligada ao conceito e o mood que caracterizam a coleção, bem como a sensação que pretende transmitir.


Desfile de Rita Sá na edição SS19 do Portugal Fashion, em outubro


Quando nos deparamos com as duas últimas coleções de Rita Sá, rapidamente percebemos que o storytelling é um dos elementos fundamentais da sua estética e que podemos, facilmente, relacionar-nos com o mote "Quem tem telhados de vidro não atira pedras” da coleção de inverno, como com a espera interminável pelo autocarro que vem fora de serviço da coleção de verão. "Criar uma história e torná-la algo concreto para contar facilita imenso o processo criativo”, conta-nos Rita, ao mesmo tempo que confessa que todas as escolhas criativas têm de ter um propósito e fazer sentido na sua cabeça. Na hora de criar essas histórias, tudo o que precisa de fazer é deixar a criatividade voar. "Gosto de me inspirar em coisas que já tenha experienciado, sejam positivas ou negativas e, de certa forma, dar um toque de humor a essas experiências”.

Reforçar o seu lugar na indústria da moda e apostar na dimensão comercial da marca são os objetivos de Rita Sá para 2019. Nós, deste lado, vamos ficar atentos às novas cores e novas histórias