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SOFÁ COM VISTA PARA A PASSERELLE
SOFÁ COM VISTA PARA A PASSERELLE


É no conforto do lar, de preferência num voluptuoso sofá, que se assiste ao 48.º Portugal Fashion. Numa edição exclusivamente digital, em consonância com as medidas de contenção da pandemia, as apresentações das coleções outono-inverno 2021-22 foram e serão transmitidas em livestream no site www.portugalfashion.com, bem como nas redes sociais (Facebook e Instagram) do evento. E valeu bem a pena ficar em casa, pois as noites de 18, 19 e 20 de março trouxeram alguns dos maiores nomes da moda portuguesa e o humor, irreverência e criatividade de Hugo van der Ding.
 
Esta "The Sofa Edition”, como orgulhosamente se assume, foi repartida em dois momentos: o take 1, que aconteceu entre 18 e 20 de março, e o take 2, em data a anunciar. Neste take 1, o programa de apresentações arrancou na quinta-feira, às 20h00, com a jovem criadora Maria Carlos Baptista (plataforma BLOOM), seguindo-se, nesse mesmo dia, Estelita Mendonça (20h45) e Katty Xiomara (21h30). Um dia depois, a 19, nos mesmos horários, foia vez de Inês Torcato, Maria Gambina e Miguel Vieira revelarem as suas coleções para a estação fria. Já no sábado, dia 20, foram conhecidas as propostas outono-inverno de Ernest W. Baker, David Catalán e Alexandra Moura.

No primeiro take desta edição de sofá foram transmitidos vídeos com as coleções dos criadores, alguns deles já apresentados no roteiro internacional do Portugal Fashion, e ainda pequenas produções audiovisuais, de cariz mais conceptual, numa opção dos próprios designers por registos mais adaptados ao desafio do digital. Além disso, Hugo van der Ding, responsável criativo pela campanha promocional desta 48.ª edição, entrevistou todos os criadores justamente de sofá para sofá, também por via digital. O humorista tem vindo, aliás, a publicar pequenos sketches ilustrados nas redes sociais do Portugal Fashion, em que parodia o universo da moda tendo como personagens um casal enfadonhamente confinado em casa, José e Mariana, que é visitado pela hilariante Girafa Féshion.

No segundo take do 48.º Portugal Fashion, o programa incluirá vídeos da plataforma BLOOM (jovens designers e alunos de escolas de moda) e dos vencedores do último concurso BLOOM, Maria Carlos Baptista e Marcelo Almiscarado. Vão ainda ser reveladas as novas coleções dos criadores e marcas Diogo Miranda, Alves/Gonçalves, Hugo Costa, Luís Onofre, Marques’Almeida, Susana Bettencourt, Pé de Chumbo, Sophia Kah e Concreto. Destaque ainda para a apresentação dos uniformes da Seleção Nacional para os Jogos Olímpicos de Tóquio e para um happening designado de "Welcome to Porto”, cujos protagonistas são a marca Davii e o designer Nuno Miguel Ramos.

«O formato digital do 48.º Portugal Fashion é ditado por razões de saúde pública, mas também procura ir ao encontro das novas formas de consumo e interação com a moda, sobretudo entre os nativos digitais. Quisemos juntar o útil ao agradável, através de um formato inovador que reúne moda, glamour e humor. De resto, os nossos criadores e marcas desenvolvem hoje quase toda a sua atividade online, pelo que esta edição se insere neste esforço de transição digital da moda», explica a diretora do Portugal Fashion, Mónica Neto.

A mesma responsável acrescenta que, «apesar dos constrangimentos causados pela pandemia, não podíamos deixar de apoiar criadores e marcas neste momento difícil para a moda portuguesa e para a atividade empresarial em geral. Tínhamos de realizar esta edição, mesmo que isso implicasse, como foi o caso, apresentar digitalmente as coleções e repartir o evento por dois momentos. O formato digital tem sido, aliás, adotado pelos principais eventos internacionais de moda, designadamente alguns nos quais participaram criadores portugueses com o apoio do Portugal Fashion», sublinha Mónica Neto.


Kick off com a bloomer Maria Carlos Baptista

O 48.º Portugal Fashion arrancou com o vídeo da coleção "Espaço Negativo”, da autoria da jovem criadora Maria Carlos Baptista, vencedora do concurso BLOOM powered by Sonae Fashion, realizado em outubro de 2020. Trata-se, pois, de uma apresentação inserida no BLOOM, plataforma do Portugal Fashion dedicada ao apoio e promoção de jovens designers.

Foi justamente no quadro do BLOOM que Maria Carlos Baptista participou digitalmente, na Semana da Moda de Paris, no início de março, tendo então revelado uma coleção que procura expressar «uma realidade intransmissível, fria pelo distanciamento e acolhedora pelo retorno de vivências passadas, que permite absoluta liberdade de expressão e interpretação». A designer do BLOOM aposta, para o próximo outono-inverno, em formas estruturadas e silhuetas alongadas.

Seguiu-se a apresentação da nova coleção de Estelita Mendonça, irreverente criador que, depois da experiência no BLOOM, se afirmou no Portugal Fashion e na moda portuguesa. Para a estação fria, o designer trabalhou a imagem da marca aliando-a à utópica liberdade das raves dos anos 90. Os principais conceitos da coleção «baseiam-se na liberdade de expressão de ser e dançar em comunidade», diz Estelita Mendonça, acrescentando ainda, como inspiração, a ideia de «tenda de campismo como proteção têxtil, redoma ou habitat portátil» – o que «faz todo o sentido neste momento de isolamento social». Segundo o criador, foram trabalhados «os dois conceitos à partida antagónicos, encontrando pontos de união que se transformam na imagem final».

A noite encerrou com a sempre muito aguardada nova coleção de Katty Xiomara, desta feita intitulada "Aurora”. «Esta coleção sugere um renascer. Depois do agora, nasce a aurora e um novo dia recomeça. Tudo germina na espiritualidade, na ironia, no desespero e na esperança», explica a criadora luso- venezuelana radicada no Porto. Katty Xiomara acrescenta que, nesta coleção, «a temática é subjetiva e espiritual e faz flutuar as cores dos elementos em peças que incorporam leveza, mas que antagonicamente são estruturadas, objetivas e práticas, projetadas como um set de indispensáveis arrojados».

No dia seguinte, sexta-feira, a emissão prosseguiu com Inês Torcato, que apresenta "E faz-se luz”. O vídeo desta coleção congrega várias formas artísticas e assume-se como uma «manifestação artística por todos aqueles que estão à frente e atrás das câmaras, das cortinas, dos palcos, das telas, dos museus ... Nesta estação (e sempre!) defendemos a Cultura, damos um rosto às adversidades e lutamos pelos direitos», garante Inês Torcato.

Maria Gambina foi o nome que se seguiu no alinhamento, com a apresentação da coleção "Fagan”, inspirada na «convulsão social e económica vivida em Inglaterra a partir do fim da década de 70». A criadora faz uma «incursão por territórios turvos e solitários de inquietude e incerteza, já não instigadores de disrupção punk mas agora permeados por delicadeza e movimento». A silhueta é volumosa e ritmada, sendo harmonizada com detalhes deslocados, picos metálicos e layers plissados. Sobressaem as riscas resultantes da união de colaretes e camadas de flores cortadas a laser. O duplo gabardine desenhado e o duplo feltrado protegem o cetim em riscas gráficas e voile plissado, confortados por malhas orgânicas e recicladas. O preto domina a paleta cromática, com apontamentos gráficos em vermelho e branco e camuflados verde azeitona.

A noite de sexta-feira no sofá terminou em grande com a coleção "DNA”, de Miguel Vieira, revelada num vídeo que, em janeiro, materializou a presença do criador no calendário oficial da Semana da Moda Masculina de Milão, com o apoio do Portugal Fashion. A coleção «é sobre pessoas que têm confiança na sua aparência e veem a sua roupa como uma extensão de si próprias, como algo que faz parte do seu ADN», afirma o designer. Azul medieval, verde inverno, castanho licor de café, cinza nuvem, preto caviar e branco trufa são as cores da próxima estação fria de Miguel Vieira, num jogo de contrastes entre uma silhueta esguia e geométrica e a silhueta clássica, com linhas puras e estilizadas e alfaiataria estruturada. Lã, caxemira, alpaca, pelo de ovelha falso, lurex e tecidos para camisas são os materiais de uma coleção onde sobressaem as estampagens desenvolvidas em atelier e o forro personalizado.

No último dia do take 1, sábado, a apresentação da Ernest W Baker foi a primeira a ser emitida nas plataformas digitais do Portugal Fashion. Trata-se do vídeo conceptual com que esta marca de menswear participou na Semana da Moda Masculina de Paris, em janeiro. A marca autoral dos jovens designers Reid Baker e Inês Amorim integrou então, e pela primeira vez, o roteiro internacional do Portugal Fashion, evento em cuja edição se estreou em outubro de 2020.


Alexandra Moura encerra edição de sofá

Fundada em 2017, em Viana do Castelo, a Ernest W. Baker é uma homenagem ao avô homónimo de Reid Baker, que foi um dos primeiros publicitários de Detroit, e combina o pragmatismo do american way of life com a elegância e o classicismo europeus, num choque de culturas que sublima o melhor dos dois mundos. A Ernest W. Baker é comercializada em Itália, Canadá, Japão, Hong Kong, China e Coreia do Sul e em plataformas online, como a Farfetch, com retorno muito positivo. Refira-se que Reidi e Inês trabalharam juntos para os designers Haider Ackermann, Yang Li e Wooyoungmi e, em 2018, a dupla ficou entre os 20 semifinalistas dos prémios LVMH (grupo francês que inclui a Louis Vuitton, a Celine e a Christian Dior). De resto, a Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda considera que a Ernest W. Baker «mostra a emergência de uma nova geração de criadores em Portugal».

Na sua nova coleção, a Ernest W. Baker rompe com o perfecionismo do guarda-roupa masculino tradicional que tem sido a sua assinatura, abraçando os elementos casuais que estão inscritos na sua memória coletiva: a roupa off-duty, a t-shirt estampada, as calças tartan, mas também um roupão exuberante que se dobra como um casaco. Destaque para as camadas que criam uma silhueta uniforme, fator distintivo de uma coleção que tem como grande inspiração o cinema onírico de Wong Kar-Wai, Wim Wenders e David Lynch.

Também David Catalán integrou as ações internacionais deste início de ano do Portugal Fashion, com um desfile digital no calendário oficial da Semana da Moda Masculina de Milão, em janeiro. Na emissão digital do PF, foi emitido o vídeo da sua nova coleção, intitulada "Reworks”, em que David Catalán «revisita a essência da marca. A coleção é desenvolvida em função das necessidades do workwear misturadas com o guarda-roupa clássico». Para o outono-inverno 2021-22, o criador natural de Rioja, em Espanha, propõe «icónicos fatos monocromáticos» com cores densas ou com «leves tie-dyes», «desenhados com materiais inovadores caracterizados por uma textura em veludo». Já a silhueta é «relaxada», direcionada «para o homem moderno com um toque contemporâneo». É, pois, uma coleção destinada «a ser jovem, irreverente e adaptável à nova forma de consumir».

O primeiro take do 48.º Portugal Fashion encerrou com a nova coleção de Alexandra Moura, cujo vídeo conceptual foi emitido no calendário oficial da Semana da Moda Feminina de Milão, no início de março, e chegou, até, a ser difundido nos ecrãs gigantes de Times Square, em Nova Iorque, e nas ruas de Roma. A coleção "Subversion” é caracterizada pela sua autora como um «conjunto de ações de desconstrução aplicadas ao processo criativo de uma peça, ampliando, assim, a perceção da sua composição e forma». De referir, igualmente, as referências aos anos 90, década que moldou o sentido estético de Alexandra Moura e a sua forma de ver a moda. «A sua rebeldia à época traz para a coleção a subversão das peças, o virar ao contrário, as costuras para fora e o clássico cose-e-corte. O readaptar de peças à mão deixando assim o inacabado, característica já vincada no ADN da marca».

Por outro lado, é evidente nesta coleção «o lado plástico» da criadora. Os «seus sketchbooks com colagens, linhas, fita-cola e desenhos constroem o estampado que dá força e intriga a estas subversões». Em conclusão, «a coleção vive de exercícios de construção/desconstrução, de contraste de cores pálidas com [cores] fortes e ácidas, mas também da subtileza do comportamento dos materiais, dos acabamentos e dos detalhes», descreve Alexandra Moura.
 

Município do Porto renova compromisso

O Portugal Fashion é um projeto da responsabilidade da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, que conta com o apoio dos seus parceiros estratégicos e é cofinanciado pelo Portugal 2020, no âmbito do Compete 2020 – Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização, com fundos provenientes da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

O Portugal Fashion beneficia do apoio da Câmara Municipal do Porto (CMP), que muito recentemente renovou o seu compromisso institucional com a ANJE. Para a CMP, a realização do Portugal Fashion na cidade reforça o posicionamento do Porto como novo epicentro europeu da moda, promovendo também o cluster da indústria criativa, que tem nos últimos anos trazido uma série de novos negócios e empresas para o município. Acresce que, ao promover o empreendedorismo qualificado na fileira moda, o Portugal Fashion cria condições para que os jovens convertam o seu conhecimento em valor económico e social – dinâmica que é de elevada importância para a estratégia de desenvolvimento socioeconómico da cidade e da região.

Para o Portugal Fashion, o apoio da CMP confere ao evento recursos acrescidos para reforçar a sua posição no ecossistema de moda nacional e internacional e, desta forma, fortalecer as dinâmicas da cidade/região enquanto hub de inovação, empreendedorismo, manufatura, criatividade e cultura. Com esta cooperação estratégica, está-se a dinamizar a componente comercial do Portugal Fashion, no quadro de uma cidade/região historicamente ligada às indústrias transformadoras nacionais, nomeadamente dos sectores do têxtil, vestuário e calçado.

Destaque ainda para a parceria institucional estabelecida com a Associação Selectiva Moda, que vai passar a promover junto dos clientes internacionais do Modtissimo, único salão têxtil na Península Ibérica, as coleções de criadores e marcas do Portugal Fashion. Esta parceria irá, certamente, potenciar a capacidade promocional do Portugal Fashion à escala internacional, com retorno para os criadores e marcas associados ao evento.