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Susana Bettencourt, a criadora mestre da knitwear
Susana Bettencourt, a criadora mestre da knitwear

Deu os primeiros passos na plataforma Bloom do Portugal Fashion, onde marcou a sua estreia no ano de 2011. Desde então, Susana Bettencourt tem marcado a sua identidade no panorama da moda nacional e internacional. Reconhecida a sua habilidade para trabalhar as malhas, é no meio digital que principia todo o processo criativo. Teçamos então o percurso desta jovem designer que já vestiu Lady Gaga.

Londres, Paris, Copenhaga, Viena e, mais recentemente, Roma, integram o roteiro de apresentações internacionais que a criadora, natural da ilha de São Miguel, já fez à boleia do Portugal Fashion. Uma prova inequívoca do interesse que Susana Bettencourt tem despertado numa indústria em constante renovação e reinvenção. O segredo do sucesso pode, pois, residir precisamente aí. Na verdade, a designer consegue sempre surpreender com as suas propostas. Na mais recente coleção que apresentou, a deitar o olho ao outono-inverno deste ano, os coordenados são tudo menos cinzentos. Foi, inclusive apelidada de rainbow collection, como de resto se pode verificar na cobertura do desfile da edição de março do Portugal Fashion acompanhada pela Elle Italia, neste artigo da Harper’s Bazaar Argentina, ou ainda neste excerto (ao minuto 00:16:05s) de uma flash interview à jornalista da Condé Nast Traveller.

Mudou-se ainda jovem com uma bagagem de sonhos para Londres. Em terras de Sua Majestade formou-se e especializou-se em Moda Digital pelo London College of Fashion. Um tempo em que construiu e solidificou a identidade de marca, garantindo-lhe um crescimento profissional profícuo. Um tempo que lhe possibilitou tricotar com linhas coloridas um lugar ao sol na criação nacional. Na verdade, Susana Bettencourt viveu perto de uma década na Londres fast-foward, nas margens do Tamisa criativo, na ebulição crescente de uma cidade que sabe acolher e dá palco a novos talentos artísticos.

Um cenário deveras favorável que Susana soube agarrar e aproveitar. Trabalhadora e perfecionista nata, cedo despertou a atenção de estrelas do mundo pop, como foi o caso paradigmático de Lady Gaga, que lhe encomendou várias peças exclusivas com o intuito de as vestir durante a sua digressão musical. Estávamos em 2011, ano em que pisou pela primeira vez a passerelle do Bloom do Portugal Fashion, na edição de outubro. Recordemos uma entrevista concedida por essa altura à revista de bordo da TAP, a UP Magazine. Nessa conversa, a jovem designer admitia que a sua perseverança e espírito de sacrifício lhe valeram um desfile no Victoria and Albert Museum: "Tive de convencer os responsáveis de que merecíamos uma oportunidade para divulgar o nosso trabalho”, disse. Memorável foi também a sua estreia no Portugal Fashion: "Foi inesquecível, porque nunca tinha conseguido reunir família e amigos num desfile da minha autoria. Acima de tudo, foi importante mostrar o meu trabalho ao meu país e o feedback tem sido sempre muito positivo. Por vezes, fico até emocionada ao ler alguns emails de jovens criadores portugueses que estão a dar os primeiros passos no mundo da moda e que me pedem conselhos. É muito lisonjeador.”

O mundo, uma janela de oportunidades

Uma mão cheia de anos depois, de regresso a Portugal, é a partir do norte do país que o negócio se constrói – sim, porque do sonho se estabeleceu uma marca com a sua assinatura que exporta para vários mercados. No atelier de Vila Nova de Famalicão, por certo encontraríamos Susana Bettencourt em frente ao computador a "brincar com a matemática dos pixéis”. De facto, são essas pequenas unidades biónicas que depois emergem em malhas absolutamente simétricas e de padrões intrincados. Algo que obriga a uma rigorosa disciplina, remanescente dos tempos em que frequentou o Central Saint Martins College of Art and Design, onde se licenciou em Design de Moda. Na mesma escola que, aliás, formou históricos alunos como John Galliano, Stella McCartney e Alexander McQueen.

Com produção 100% portuguesa, as peças da jovem designer têm marcado presença assídua em diversos certames internacionais, quer seja em formato showroom ou na configuração de desfile. Em fevereiro de 2016, apresentou pela primeira vez na London Fashion Week uma performance de moda (embora já tivesse integrado o evento anteriormente, noutros moldes de participação). Ainda na Europa, as suas coleções viajaram por Paris, Copenhaga e Viena; já no passaporte transatlântico, estão marcados os destinos de Nova Iorque, Vancouver e até Malásia. No início de julho assinalou a estreia na Altaroma, numa passerelle que conheceu as suas propostas para o próximo outono-inverno. Passos audaciosos, mas seguros, que materializam o espírito empreendedor subjacente a Susana Bettencourt. Por isso, o mais certo é aguardarmos novas paragens no mapa-mundo que a designer açoriana pretende pincelar.