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Susana Bettencourt, a designer com sangue de professora
Susana Bettencourt, a designer com sangue de professora
Foi aluna, agora é professora. Susana Bettencourt foi convidada para ser oradora do curso de Design Têxtil de Malhas na Central Saint Martins College of Art and Design. Londres espera por ela

Nasceu em Lisboa mas gosta de dizer que é natural da ilha de São Miguel, nos Açores. Compreende-se. Quem renunciaria às raízes da ilha-paraíso no meio do Atlântico? Ou quem abdicaria da terra onde aprendeu desde nova a tricotar, embalada pelas mãos sábias dos seus avós? 

Susana fez-se adulta em Londres. No seu percurso académico cabem a licenciatura em Design de Moda com especialização em Malhas, na Central Saint Martins College of Art and Design, e o mestrado em Moda Digital, no London College of Fashion, que concluiu com distinção.

Antes de se lançar em nome próprio trabalhou com designers como Brooke Roberts e as portuguesas Alexandra Moura e Fátima Lopes. Também Lady Gaga se rendeu às suas criações. Nada mau para a menina que cresceu no arquipélago de cor verde. Trouxe-lhe esperança.

No Portugal Fashion estreou-se em outubro de 2011. Em setembro de 2014 participou na Vienna Fashion Week com produção do Portugal Fashion Internacional. A moça-de-sangue-lisboeta-e-raízes-açorianas participou também na London Fashion Week e na Vancouver Fashion Week, além de ter realizado um desfile na Malásia. 

Anos passados, Susana Bettencourt volta a Londres, ao mesmo sítio onde tirou o curso, desta vez como oradora. Um convite que surgiu "de uma professora que desconhecia, responsável pelas palestras do curso de Design Têxtil de Malhas”, explica. "Teve conhecimento da marca através do artigo da Vogue italiana, Best Knitwear of 2018”, acrescentou. 

Susana esteve do outro lado, o do risco e do desconhecido, e reconhece a importância da mensagem de vida e de experiência que possa passar aos alunos. Também ela precisou. "Os momentos mais importantes para mim nesta Universidade foram passados a assistir palestras e aulas de professores convidados”, confessa. 

"Designers e artistas davam o seu depoimento, falando da sua experiência e de como tinham ultrapassado todos os obstáculos. Foram eles que me inspiraram a nunca desistir e a manter-me firme aos meus objectivos. Mesmo quando o caminho a percorrer tinha de ser alterado”.

Ensinar está-lhe no sangue - os pais e os avós foram professores - e Susana acredita que este novo desafio vai ser bastante positivo. Até porque defende que "o sistema começa no ensino e através do ensino que a mudança acontece”. A revolução não precisa de passar na televisão, precisa de ser explicada, ensinada e, muito importante, valorizada. 

"A minha marca nunca continuará a existir se a valorização do nosso trabalho não for feita, se os programadores de malhas deixarem de existir, se as fábricas fecharem e se o artesanato morrer nas mãos de quem o ainda sabe”, desabafa.

Uma valorização que tem de começar no povo português. No orgulho pelo que é feito dentro de portas. Porque é bom e tem qualidade. Em Lisboa, nos Açores, em Londres e até em Marte.