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Tecnologia, a sartorial dos tempos modernos
Tecnologia, a sartorial dos tempos modernos

Não é recente a apropriação da tecnologia à fashion industry. Na verdade, ao longo do tempo as apresentações em passerelle foram refletindo novos métodos de costura, inovações ao nível dos tecidos, dos materiais ou dos acabamentos, e até mesmo a interatividade com o público foi-se aprimorando. Após a mais recente edição da irreverente Met Gala, cujo tema versou Manus x Machina, a indústria volta a ser assomada por uma visão futurista e altamente hi-tech.

Num artigo online da aclamada revista Time, o destaque é dado à impressão 3D. Considerando que a indústria da moda está a viver a "idade da tecnologia”, a publicação lembra as inovações que têm ganhado relevo no setor. Refiram-se, a título de exemplo, o vestido de cristal flutuante que pode ser orientado através de controlo remoto, ou as peças que se alteram de acordo com a temperatura ambiente. De facto, a aplicação da tecnologia 3D na impressão de peças, profetiza Bradley Rothenberg, cofundador e CEO da nTopology, revolucionará a forma de produção do vestuário, assim o afirmou em entrevista à Time. Perspetivando o impacto destas mudanças na indústria da moda, pode debruçar-se mais sobre o assunto através deste vídeo. Se a intenção for conhecer, de viva voz, quem aposta nestas inventivas criações 3D, veja este testemunho da designer holandesa Anouk Wipprecht.

Nas passerelles nacionais não se trata ainda de tecnologia a três dimensões, mas a verdade é que, cada vez mais, assistimos à apresentação de coordenados que surpreendem com novas técnicas de produção. O processo criativo de Susana Bettencourt, por exemplo, começa sempre em frente ao ecrã do computador. A confeção das peças, 100% portuguesa e artesanal, reproduz na perfeição o colorido dos pixéis que a jovem designer define previamente. Com um percurso associado ao espaço Bloom do Portugal Fashion, pode dizer-se que ao longo dos anos a plataforma tem servido a experimentalidade dos novos criadores. A androgeneidade das peças das marcas K L A R e Hibu.; os recortes de Inês Marques e de Eduardo Amorim; a reciclagem das peças UN[T], e a ousadia dos finalistas do Concurso Bloom são retrato vivo dessa asserção.

E porque o envolvimento da moda com a tecnologia ultrapassa o retângulo da passerelle, há também inovações a registar no campo das apresentações e da publicidade. Recorde-se a performance que a criadora Katty Xiomara introduziu na edição do Portugal Fashion Celebration, em outubro do ano passado. A coleção primavera-verão, que agora se encontra à venda, foi então apresentada no último piso do parque de estacionamento do Silo Auto, recorrendo a um novo formato mais interativo e peculiar, distanciando-se do tradicional desfile. Tratou-se de um espetáculo visual e sonoro, que combinou a estética 8-bit com a música do DJ japonês Driver. Saltando para o panorama internacional, o jogo Pokémon Go – o mais recente fenómeno à escala global – tem sido imaginativamente integrado em campanhas publicitárias de marcas high fashion, como deu nota a Vogue Portugal. Prova de que o marketing relacional sabe aproveitar e incorporar esta nova febre, acrescentando valor ao engagment com os consumidores.

No campo dos acessórios os avanços tecnológicos estão, identicamente, em constante ebulição. Basta observar as duplas funcionalidades de anéis, colares e pulseiras com Bluetooth incorporado ou que se ligam ao smartphone. Uma tendência que se enraizou e que tem conduzido as marcas deste ramo ao desenvolvimento de joias capazes de contar passos, calorias, medir a distância percorrida e ainda contabilizar quantas horas dormiu e de quanto descanso necessita. A Swarovski é uma dessas marcas.

Porque o futuro está sempre à espreita e porque o que hoje é novidade amanhã deixa de o ser, aguardemos pois os próximos capítulos deste casamento feliz entre a tecnologia e a moda, com a certeza de que pertencemos a um admirável mundo novo.